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GNR mata ex-namorada

Um soldado da GNR matou anteontem à noite, a tiros de revólver, a ex-namorada, de 21 anos, em Forte da Casa, Alverca, Vila Franca de Xira. O crime ocorreu segundos depois de o militar ter tentado, sem sucesso, alvejar um colega de escola que a jovem – filha de um militar da Brigada Fiscal da GNR – transportava no carro. Depois, encostou a arma à cabeça e tentou o suicídio.

10 de maio de 2007 às 00:00

O autor do crime, Carlos Borges, de 33 anos, estava ontem à noite em estado muito grave. “Foi decretada morte cerebral. Mas ainda existem sinais vitais”, disse ao CM fonte policial.

O soldado alistou-se na GNR em 1999 e prestava serviço na Póvoa de Santa Iria há cinco anos.

Ao que o CM apurou, o namoro com Cláudia Sofia Charais, a jovem falecida, tinha começado há três anos. “Eles davam-se bem e nunca houve conflitos”, disse ao CM um familiar da vítima do crime.

No entanto, há cerca de um mês, o namoro entre os dois terminou. E a partir desse momento Carlos Borges transformou-se numa “sombra” da ex-namorada. Estudante na Escola Secundária de Alverca, Cláudia Sofia foi várias vezes perseguida pelo ex-namorado. Na terça-feira à noite, familiares da jovem acreditam que Carlos Borges a tenha perseguido de novo. “Ela regressou a casa pelas 22h40 e deu boleia a um colega residente em Forte da Casa”, referiu o mesmo familiar.

Cláudia estacionou o carro na rua da Bélgica, no bairro Soda Póvoa, em Forte da Casa, a cerca de cem metros da residência do amigo. Pouco depois, Carlos Borges chegava ao local, conduzindo um carro emprestado.

Sem que a ex-namorada se apercebesse, o militar aproximou-se do Peugeot. “Empunhando um revólver calibre .357, legal e registado em seu nome, o guarda disparou o primeiro tiro no lado do pendura. A bala passou rente à cabeça do amigo de Cláudia Sofia e foi cravar-se num poste de electricidade”, explicou fonte da GNR.

De imediato se instalou o pânico. Os dois jovens saíram do Peugeot e, no meio da confusão, Carlos Borges disparou três tiros contra o pescoço de Cláudia Sofia, que teve morte imediata. Só depois o soldado da Póvoa de Santa Iria usou o revólver para dar um tiro na têmpora.

Populares chamaram de imediato os bombeiros. Cláudia ainda foi transportada para o Hospital de Vila Franca de Xira, onde lhe foi decretado o óbito. O amigo recebeu assistência no mesmo hospital a surdez temporária e teve alta pouco depois. Carlos Borges passou também pelo Hospital de Vila Franca, mas foi logo transferido para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.

A Brigada de Homicídios da Polícia Judiciária investiga o crime.

VIZINHO AMIGO DA VÍTIMA

Carlos Borges, o militar da GNR da Póvoa de Santa Iria que anteontem matou a ex-namorada, era vizinho de Gonçalo Ulisses, o amigo da jovem, e que escapou por pouco à morte. Os dois moravam na rua Padre Américo, em Forte da Casa, Alverca, a menos de cem metros de distância um do outro. Originário da zona de Chaves, Carlos Borges partilhava o apartamento com alguns colegas de serviço. Gonçalo Ulisses, de 24 anos, amigo da ex-namorada, morava com os pais. Conheceu Cláudia Charais na Escola Secundária de Alverca e várias vezes a jovem lhe deu boleia para casa. “Nunca ela nos disse que namorava com ele. Apenas que se tratava de um amigo e que por ele não ter carro e por haver dificuldades de transporte junto à escola lhe dava boleias”, disse ao CM um familiar de Cláudia Charais.

CIÚMES FATAIS PARA MAIS DE 50

Entre Novembro de 2005 e o mesmo mês do ano passado morreram 37 mulheres em Portugal vítimas de violência doméstica, revela um estudo apresentado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR). Face à falta de uma estatística nacional sobre o assunto, as estimativas apontam para cerca de 50 mortes anuais. Ou seja, quatro mulheres morrem, em média, todos os meses vítimas de violência doméstica em Portugal. O número de crimes associados à violência doméstica aumentou 30% em 2006, ano em que se registaram mais de 17 mil casos, segundo o relatório de segurança interna. A PSP registou mais 32% de denúncias (oito mil casos contra seis mil em 2005) e a GNR mais 7% (nove mil contra os 8377 de 2005). Os técnicos que lidam com este crime acreditam que o aumento das denúncias se fique a dever a uma maior sensibilização e informação e não a um aumento da violência doméstica, apesar de um relatório da ONU destacar que “uma mulher em cada três mulheres sofre de violência na sua vida”.

308 crimes de violência doméstica (160 de maus tratos psíquicos e 148 de maus tratos físicos) foram registados em 2006 pela APAV – Associação de Apoio à Vítima. Em 2005 foram 129.

70 crimes de violência doméstica (35 de maus tratos psíquicos e 35 de maus tratos físicos, um dos quais acabou em homicídio) entre Janeiro e Março deste ano.

13 de Fevereiro: O tribunal dá como provado que André C., estudante de Psicologia, matou a ex-namorada e pegou fogo ao cadáver na tentativa de o ocultar. O jovem é condenado a 22 anos de prisão e a pagar uma indemnização de 230 mil euros à família da vítima.

3 de Novembro Polícia da esquadra da Marinha Grande, Luís Bernardino, de 33 anos, matou a tiro a ex-namorada, de 31 anos, quando esta entrava para casa do companheiro, na Guimarota, Leiria.

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