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Sargento nega água e castiga militares

Ricardo Rodrigues pôs areia na boca de Hugo Abreu e gritou: "Cospe lá agora".

19 de novembro de 2016 às 01:45
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Sargento nega água e castiga militares

Ricardo Rodrigues, primeiro-sargento do 127º curso de Comandos, é um dos mais visados no despacho da procuradora Cândida Vilar, que promoveu a detenção dos cinco oficiais e dois sargentos.

O instrutor é denunciado por ter recusado água pelo menos quatro vezes, cortado a comida em duas ocasiões e aplicado severos castigos físicos a militares exaustos em cinco situações.

O mais grave, quando pôs areia na boca de Hugo Abreu – um dos dois que acabaram por morrer de golpe de calor. O outro foi Dylan Silva.

Diz o despacho que Abreu, confuso pela exaustão, dores e vómitos, "cuspia em seco e afirmava, sem nexo, que estava ‘ali para curar as feridas’". Rodrigues pôs a areia na boca de Abreu e gritou "cospe lá agora".

Os sete detidos - o tenente-coronel diretor do curso; três tenentes; dois sargentos; e o capitão-médico - foram ontem presentes pela procuradora do DIAP de Lisboa a uma juíza de instrução. E saíram todos em liberdade. O médico está suspenso de funções nos Comandos e nas unidades de saúde militares.

Ricardo Rodrigues estava encarregado do grupo de graduados, de Hugo Abreu. O primeiro castigo foi logo pelas 03h00: recusou água a dois militares e ordenou flexões a todos em castigo por um instruendo querer dar da sua água aos camaradas ‘em seco’. Seguiram-se mais "exercícios físicos por castigo" na montagem das tendas. E logo outro: não puderam dormir.

Ao pequeno-almoço deu-lhes apenas um dos três pacotes de bolachas e impediu água. Rodrigues voltou a não os deixar beber após a ginástica. Há outras punições que o Ministério Público não lhe imputa mas diz que existiram. O sargento castigou ainda a falha num exercício com o corte do intervalo e a retirada da água. Deu apenas dois minutos para o almoço dos graduados, recusando alimento a três. Depois atacou Hugo Abreu com a areia na boca.

Perante os abusos de autoridade dos instrutores – "praticados com premeditação", diz o Ministério Público –, o diretor da prova nada fez. E tornou-se coautor dos crimes: "Tinha conhecimento de tais atos porque ia observando as instruções."

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