A gestora do Alqueva já reagiu e pretende facilitar o acesso de agricultores à água.
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O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) transmitiu esta segunda-feira preocupação com a falta de pasto e de água para os animais, devido à seca, que já provocou perdas da totalidade da produção em algumas culturas.
"Há uma extraordinária preocupação e já existe prejuízo efetivo" devido ao decréscimo da produção e da qualidade, "com perdas que podem ir de 10% a 25% e, em algumas situações, pode ser 100%", como no caso de alguns cereais que são utilizados para alimentar os animais, resumiu Eduardo Oliveira e Sousa.
No que respeita aos efeitos na produção animal, o presidente da CAP defendeu que "devia ser criada uma autorização especial" para os agricultores puderem conduzir os animais às barragens mais próximas para beberem água, já que "uma situação de emergência requer medidas de emergência".
E realçou que "há meses que há falta de pasto, secou com três meses de antecedência e os produtores, em vez de colherem os cereais, deram aos animais", perdendo a totalidade destas culturas.
A necessidade de encontrar alternativas para aquele problema já mereceu a atenção da empresa gestora do Alqueva que esta segunda-feira anunciou ir facilitar o acesso de agricultores à água, nas infraestruturas do projeto, para abeberamento de gado e rega de emergência de culturas, devido à seca que afeta o Alentejo.
A Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) refere que se trata de uma das medidas que implementou para "auxílio aos agricultores no combate à seca climatérica" abrangendo o abeberamento de gado e, "sempre que tecnicamente possível" a rega de emergência de culturas.
Entre as medidas definidas pela Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, na semana passada, está "apoiar os agricultores na identificação de soluções eficientes para o abeberamento de animais, evitando, nomeadamente, o disseminar de novas captações" assim como "garantir que o abeberamento de animais através das albufeiras de águas públicas não é realizado diretamente na margem da albufeira, para evitar a degradação da qualidade da água".
Salientando que não é possível fazer uma lista concreta de culturas e áreas atingidas pela seca nem do grau de falta de água em cada local, Eduardo Oliveira e Sousa recordou que os efeitos dependem da região em causa e das suas características, assim como da fase de desenvolvimento das plantas.
O presidente da CAP explicou que os problemas devido à seca são vários, além da falta de água e de humidade nos solos, relacionados, por exemplo, com os baixos níveis nas barragens e nos rios.
Um diploma hoje publicado em Diário da República, assinado na terça-feira pelo ministro da Agricultura e com efeitos a 30 de junho, refere que se denota "já nas atividades agrícolas que suportam a alimentação animal, culturas forrageiras e pastagens, quebras de produtividade relevantes, pelo que, em muitas situações, se antecipa o consumo das reservas existentes destinadas ao período estival ou mesmo o desvio para pastoreio de áreas de cereais para grão".
E destaca os prejuízos registados nos cereais para grão, traduzidos numa quebra de qualidade e de rendimento, lembrando que a falta de água para rega levou à redução de áreas semeadas nas culturas de arroz, milho para grão, tomate para indústria, melão e batata.
Este passo agora dado pelo Governo inicia procedimentos para a disponibilização de compensações aos agricultores.
Os últimos dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) referem que, no final de junho, cerca de 80% de Portugal continental estava em seca severa (72,3%) e extrema (7,3%).
Segundo o índice meteorológico de seca (que tem em conta os dados da quantidade de precipitação, temperatura do ar e capacidade de água disponível no solo), a 30 de junho mantinha-se a situação de seca meteorológica em quase todo o continente, verificando-se, em relação a 31 de maio, um agravamento da sua intensidade.
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