Gilberto Domingos, de 39 anos, matou o sogro à navalhada e a tiro, ferindo a ex-mulher.
Condenado a 18 anos de prisão por matar o sogro com golpes de navalha e tiro de revólver
O homem que matou o sogro a golpes de navalha e a tiro de revólver, em janeiro do ano passado, na Nazaré, foi esta terça-feira condenado a 18 anos de prisão pelo Tribunal de Leiria, que considerou o crime uma "execução sumária". O arguido, Gilberto Domingos, de 39 anos, "certificou-se que não sobreviveria", fazendo os últimos disparos já com a vítima, José Amorim, de 67, no chão.
O tribunal entendeu que o arguido "tirou a vida voluntariamente ao sogro e avô dos filhos", não acreditando que não havia intenção de matar, como pretendia a defesa, tendo em conta as lesões causadas, as zonas do corpo atingidas, a distância a que se encontrava da vítima e ainda o número de disparos, que foram seis no total.
O crime ocorreu no átrio da escola onde estuda um dos filhos do arguido, na sequência de uma discussão, seguida de "confronto físico", que envolveu também a ex-mulher , Bruna Amorim, de 31 anos, ferida na cara com golpes de navalha.
Alertados pelos disparos, os alunos acorreram ao átrio, deparando-se com um cenário de horror e fugindo em pânico. Enquanto isso, o homicida encaminhou-se para a entrada, entregando-se ao agente da PSP que ali se encontrava.
O tribunal teve em conta o "quadro de depressão" do arguido, que estava "emocionalmente instável" e a sofrer de "perturbação depressiva", decorrente do "difícil e longo processo"de atribuição da guarda dos dois filhos, ainda menores, após o divórcio, que foi decidido em 2014.
O arguido "sabia avaliar a sua conduta", embora tivesse a capacidade para o fazer "diminuída", concluiu o Tribunal de Leiria, que condenou ainda Gilberto Domingos a indemnizar a viúva e as três filhas da vítima em 130 mil euros. A este montante acrescem três mil euros de indemnização à ex-mulher, que esteve 10 dias de baixa em consequência dos golpes.
Condenado por três crimes diferentes
PORMENORES
Navalhas nos bolsos
Não ficou provado quem foi o primeiro a retirar a navalha do bolso das calças - o arguido ou a vítima -, mas o tribunal não acreditou que o arguido tenha agido em legítima defesa.
Entrou calmo e devagar
Gilberto Domingos chegou ao Tribunal de Leiria algemado e acompanhado por guardas prisionais. Entrou calmo e devagar, mas durante a audiência esteve inquieto e impaciente.
Defesa recorre
O defensor do arguido, Mapril Bernardes, recusou comentar a decisão, adiantando que reagirá "em sede de recurso" se o seu cliente assim o entender. Ficou satisfeito por o tribunal ter valorizado a perícia psiquiátrica.
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