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Correio da Manhã

Portugal
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4 roubos de cobre por dia

Os furtos de cobre nos campos rurais e nas redes de telecomunicações e de abastecimento de electricidade estão a comprometer as campanhas agrícolas e o normal funcionamento das empresas do Oeste e Ribatejo. Só a EDP regista uma média de quatro furtos por dia, em todo o País. E no distrito de Santarém, um dos mais afectados por este tipo de criminalidade, os prejuízos ascendem já aos dois milhões de euros.
12 de Julho de 2010 às 00:30
Furtos de cobre estão a deixar agricultores e empresas em dificuldades
Furtos de cobre estão a deixar agricultores e empresas em dificuldades FOTO: Luís Filipe Coito

"Nos últimos três meses, cortaram os fios do telefone cinco ou seis vezes e nós ficámos sem comunicações. Como temos clientes em Espanha, França e Inglaterra, que nos fazem as encomendas por fax ou através da internet, as perdas são enormes", queixa-se ao CM Vítor Maia, proprietário da Fibramar, uma empresa de fabrico de embarcações de pesca, instalada em Atouguia da Baleia, Peniche.

No Ribatejo, a desolação é semelhante. Segundo Fernando Pais Rocha, director de Redes e Clientes do Tejo, da EDP distribuição, "entre 2009 e 2010 foram registados 350 incidentes" com furtos de cobre na região de Santarém. Os custos directos e indirectos destes roubos somam já perto de dois milhões de euros nos dois anos.

Os fios da rede de baixa tensão são os mais cobiçados pelos ladrões, logo seguidos dos cabos de média tensão e dos transformadores.

Nos campos de cultivo, os alvos são os pivots de rega. "Estamos em plena campanha agrícola e qualquer furto de um pivot pode implicar a perda dessa campanha", disse Sónia Sanfona, governadora civil de Santarém, manifestando-se disponível para apoiar uma eventual petição à Assembleia da República, por parte dos agricultores. "A segurança no meio rural é fundamental para a sua existência", acrescentou a representante do Governo no distrito de Santarém, durante um seminário destinado a debater o problema dos roubos aos produtores agrícolas.

O cobre furtado, por norma, é vendido aos receptadores por preços que podem ultrapassar os três euros por quilo, apurou o CM.

PORMENORES

REPARAÇÃO CUSTOSA

A venda de um pivot de rega em cobre pode render ao ladrão entre 100 a 150 euros. Mas a reparação dos danos chega aos dez mil euros, segundo os agricultores.

FICHEIROS AFECTADOS

O furto de 600 metros de fio de cobre deixou dez mil pessoas sem electricidade, em Abril do ano passado, na Nazaré. O sistema informático da câmara foi seriamente afectado.

QUILÓMETROS DE FIO

Três freguesias dos concelhos de Leiria, Marinha Grande e Alcobaça estiveram mais de 12 horas sem electricidade, devido ao furto de 4500 metros de fio de cobre. O roubo registou--se no início de 2009 e afectou dezenas de empresas.

COMBOIOS ATRASADOS

Há três meses, foram furtados cabos de cobre da Linha do Norte, na zona de Aveiro. O sistema de dados de suporte à sinalização ferroviária ficou afectado e a circulação ferroviária registou atrasos significativos.

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