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91% da área ardida em 2025 causada por 44 fogos, combate deve ser focado

Relatório demonstra que "o principal desafio do sistema reside atualmente na prevenção e gestão de incêndios de grande dimensão e elevada complexidade".

13 de julho de 2026 às 12:07

Poucos fogos florestais consumiram 91% da área ardida em 2025, um ano quente com poucas ignições, mostrando que o combate se deve concentrar em "incêndios extremos", refere um relatório do Sistema Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), esta segunda-feira divulgado.

"Sendo um dos anos meteorologicamente mais severos das últimas décadas, registaram-se cerca de 271 mil hectares de área ardida, o quarto valor mais elevado desde 2001", com "44 incêndios responsáveis por aproximadamente 91% da área ardida nacional".

O que demonstra que "o principal desafio do sistema reside atualmente na prevenção e gestão de incêndios de grande dimensão e elevada complexidade", segundo o relatório a que a Lusa teve acesso.

Em 2025, "Portugal registou 8.252 incêndios rurais, o terceiro valor mais baixo desde 2001", apesar de "ter sido o quinto ano meteorologicamente mais severo" do século, "com 29 dias consecutivos de perigo 'Máximo', 'Extremo' ou 'Excecional'", pode ler-se no documento.

O relatório menciona também as "alterações climáticas" para defender "a necessidade de acelerar a adaptação dos territórios rurais, aumentar a sua resiliência e reforçar a capacidade operacional para responder a eventos extremos".

Segundo os dados, 84% da área ardida ocorreu em zonas de perigosidade alta ou muito alta e 73% concentrou-se na região centro, o que reforça "a urgência de direcionar recursos e investimento preventivo para as Áreas Prioritárias de Prevenção e Segurança".

Em 2025, morreram seis pessoas por causa dos fogos rurais, menos 10 do que em 2024, e "as emissões de carbono atingiram cerca de 3,6 milhões de toneladas, representando aproximadamente o dobro da média histórica observada desde 2003".

De acordo com o relatório, "as perdas económicas diretas associadas aos espaços florestais, agrícolas e aos serviços dos ecossistemas ascenderam a cerca de 85 milhões de euros".

No que diz respeito ao combate, a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) - cuja missão é fazer o planeamento, coordenação estratégica e avaliação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais - reconhece que houve falhas no controlo dos reacendimentos, embora tenha existido "uma capacidade de resposta operacional elevada, com 93,4% dos incêndios dominados em ataque inicial".

Em 2025, "a taxa de reacendimentos, embora com valores mais baixos do que antes de 2017, foi de 8%, superior à meta de 1%" e as "análises dos incêndios mais complexos reforçam a necessidade de evoluir para um modelo mais antecipatório baseado na avaliação do risco e no planeamento prospetivo".

Para os autores, a "crescente concentração da área ardida em poucos incêndios exige uma aposta continuada na qualificação, na interoperabilidade dos sistemas e na utilização de técnicas especializadas de supressão".

Após os incêndios de 2017, que causaram várias mortes em todo o país, foi feita uma reforma da gestão dos incêndios, promovida pela AGIF, que reforça a cooperação entre estruturas locais, regionais e nacionais.

"Esta evolução confirma a consolidação de uma tendência estrutural de redução das ignições, particularmente associada ao uso negligente do fogo", graças às campanhas de sensibilização e reforço da vigilância, patrulhamento e fiscalização, além dos apoios à "realização segura de queimas e queimadas", refere o relatório, entregue ao parlamento e ao Governo no final de junho de 2026.

Para a organização, o relatório mostra que "a reforma iniciada após 2017 continua a produzir resultados consistentes, mas demonstra igualmente, com transparência, que persistem desafios estruturais na prevenção dos incêndios rurais".

"O impacto médio da área ardida no período pós-2017 continua 43% inferior ao registado antes da reforma", mas hoje o "principal desafio do sistema deixou de ser o elevado número de ocorrências e passou a concentrar-se na prevenção e gestão de um número reduzido de incêndios extremos".

No balanço da estratégia, em 2025, 53% do plano de ação do SGIF foi executado, com "196 mil hectares de gestão de combustível, ultrapassando a meta anual" e estavam "em execução 62 operações integradas de gestão da paisagem, abrangendo aproximadamente 100 mil hectares e um investimento superior a 180 milhões de euros".

Além disso, os programas Aldeia Segura Pessoas Seguras e Condomínio de Aldeia, que fazem parte do plano passaram a abranger 2.386 aglomerados.

"O investimento global do SGIFR atingiu 600 milhões de euros, o segundo valor mais elevado desde o início do Programa Nacional de Ação, sendo 54% da despesa aplicada em prevenção, confirmando a mudança estrutural do sistema", refere o relatório.

Os autores do documento salientam que é necessário acelerar "a transformação do território e a valorização económica dos espaços rurais, com incentivos financeiros, também fiscais, que premeiem quem gere".

Além disso, defendem a "recuperação de áreas ardidas e a expansão da silvicultura preventiva, do pastoreio extensivo e do uso do fogo bom" para limitar as zonas combustíveis, a par da "qualificação dos meios especializados para responder aos incêndios de comportamento extremo", entre outras matérias.   

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