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Acórdão na internet causa perplexidade

A divulgação na internet de um acórdão em que são revelados dados respeitantes a um processo criminal em curso, sobre o eventual sequestro e homicídio de uma empresária de Coimbra, causou perplexidade entre os investigadores da PJ que conhecem o caso do desaparecimento de Maria Altina Neves, de 70 anos, verificado em Maio de 2010.<br/><br/>

06 de abril de 2011 às 00:30

O acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra, cujo conteúdo foi revelado ontem pelo CM e permite à Judiciária aceder aos registos das chamadas telefónicas do marido e do filho da vítima – considerados suspeitos pelo Ministério Público –, já foi retirado da internet "e nunca devia ter sido divulgado", disse uma fonte policial.

"Os registos telefónicos são antigos, não podem ser apagados, mas é sempre mau para a investigação" a divulgação das diligências policiais, porque os envolvidos podem moldar as suas atitudes, adiantou. Quanto à divulgação da decisão, o Ministério da Justiça esclareceu que "o Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça não é responsável pelo conteúdo e selecção dos acórdãos que são publicados. Apenas disponibiliza, na vertente exclusivamente tecnológica, a informação que é tratada pelos tribunais" que conduzem a publicitação das decisões.

Maria Neves desapareceu na manhã de 10 de Maio de 2010, após sair do restaurante que explorava com o marido, Alfredo Neves, em Coimbra, e nunca mais foi vista. O MP suspeita de um eventual sequestro, seguido de homicídio, e do envolvimento do marido e do filho da vítima.

Ainda hoje o desaparecimento intriga a amiga Hortense Gonçalves. A última vez que a viu foi no dia anterior ao desaparecimento, na missa das 17h30 na Igreja de Santa Cruz, onde ia todos os dias. "Fizemos o peditório juntas e no final, como sempre, ela disse-me até amanhã e nunca mais a vi", conta Hortense Gonçalves. Não se apercebeu de qualquer comportamento estranho da amiga: "Estava natural, como sempre. É também por isso que me faz confusão que tenha desaparecido assim." Também o padre da Igreja de Santa Cruz, Anselmo Gaspar, não notou que "andasse angustiada" com qualquer "problema novo".

DESAPARECERAM 2500 EUROS

Maria Neves desapareceu entre as 06h00 e as 06h30 de 10 Maio de 2010. "Nunca mais foi vista, nem movimentou as contas", refere o acórdão da Relação, adiantando que levaria "cheques e uma quantia superior a 2500 euros". O MP argumenta que "casos recentes, intensamente mediatizados, ensinam--nos a não afastar, em situação de desaparecimento, a hipótese de crime. E a não desprezar a intervenção das pessoas que estão mais próximo da provável vítima", como os familiares. Neste caso, o juiz de instrução considera não haver indícios de envolvimento do marido e do filho no eventual sequestro e homicídio da empresária, "e, sem indícios, não há suspeitos". A Relação pensa o contrário. Ao fim de quase um ano, o desaparecimento de Maria Neves continua a intrigar quem a conhecia. "Estranho ninguém saber o caminho que ela levou", diz a sua amiga Hortense Gonçalves.

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