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Correio da Manhã

Portugal
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ACTO PORCO IRRITA JUIZ DO TRIBUNAL DE ODEMIRA

A insistência do director e 13 monitores de uma colónia de férias perto de Vila Nova de Milfontes – julgados no Tribunal de Odemira por abuso sexual de menores dependentes – em considerar “formativo, lúdico e pedagógico” um jogo em que os jovens foram solicitados “a meter o dedo no ânus e dá-lo a cheirar aos companheiros” mereceu ontem a irritação do juiz-presidente Domingos Duarte. O magistrado consi- derou mesmo o acto “porco e ordinário”.
22 de Janeiro de 2003 às 00:00
Em causa está o ‘Jogo das Personagens”, uma actividade levada a cabo em 1998 e 1999 na colónia de férias da Associação de Coordenação e Apoio Juvenil (ACAJ), em Brunheiras, concelho de Odemira. Segundo o despacho de pronúncia, os jovens foram levados a actos de exibição sexual pelos arguidos.

Estes, contudo, têm sido unânimes em negar que tivessem tido qualquer intenção de ordem sexual, embora confirmando que, em diversas provas, os adolescentes foram convidados a despir-se - o que alguns fizeram total e outros parcialmente - e a desempenharem papéis que implicavam algum erotismo. Nomeadamente, um em que posaram para o personagem ‘fotógrafo da Playboy’.

Um dos arguidos afirmou mesmo que, “se achasse que o que estava a fazer era censurável, não o teria feito”, enquanto outro afirmou “ter ficado muito surpreendido” com o teor da acusação.

A investigadora da Polícia Judiciária que primeiro teve contacto com o caso - na sequência de uma denúncia anónima - referiu por sua vez no Tribunal de Odemira que um dos jovens lhe assegurou que havia detestado o jogo, por ter práticas de cariz sexual e por não gostar de fazer aquilo diante dos outros.

“Achei que ele ficou chocado por se expor e por ver os companheiros a fazê-lo, embora outros não se tivessem importado”, afirmou.
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