Armindo Castro começou por negar, durante quatro horas, a prática do crime, mas após um intervalo assumiu a autoria dos factos.
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Um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) afirmou esta segunda-feira, no Tribunal de Guimarães, que um estudante acusado do homicídio da tia em Joane, Famalicão, registado em março de 2012, revelou "um perfeito domínio do cenário" do crime.
Falando na segunda audiência do julgamento, aquele inspetor disse que aquele arguido, Armindo Castro, demonstrou um "perfeito domínio" dos factos e do cenário do crime e "revelou pormenores que só ele podia saber".
Quando foi interrogado pela PJ, Armindo Castro começou por negar, durante quatro horas, a prática do crime, mas após um intervalo assumiu a autoria dos factos.
"Deve-lhe ter dado um clique", admitiu o inspetor da PJ, para vaticinar que a confissão se terá ficado a dever a um eventual peso na consciência.
Na altura, e na ausência de qualquer advogado, Armindo Castro confessou o crime e fez a reconstituição dos factos, que ficou gravada em vídeo.
Na primeira sessão do julgamento, Armindo alegou que aceitou fazer a reconstituição por se sentir "ameaçado" pela PJ e por temer que a mãe, também presente nas instalações da Judiciária do Porto, ficasse detida.
Disse ainda que, ao longo da filmagem da reconstituição, a PJ lhe foi dando "sugestões", a que anuiu por "um misto de estupidez, pânico e medo".
O inspetor da PJ esta segunda-feira ouvido negou qualquer pressão ou coação sobre o arguido, sublinhando que se tratou de um "interrogatório normal".
Este caso já teve um primeiro julgamento, no Tribunal de Famalicão, que acabou com a condenação de Armindo Castro a 20 anos de prisão, uma pena que a Relação entretanto baixou para 12 anos.
A condenação assentou, essencialmente, na reconstituição feita pelo arguido.
Não foram valorados os factos de, no dia e hora do crime, haver chamadas do telemóvel de Armindo e movimentos com o seu cartão multibanco registados a 50 quilómetros do local do homicídio.
O automóvel de Armindo também estaria em Paredes.
Entre prisão preventiva e cumprimento de pena, Armindo passou dois anos e meio na cadeia, mas foi libertado em dezembro de 2014, depois de um outro homem ter ido à GNR de Guimarães assumir a autoria do crime, em conjunto com a sua mulher.
Desta confissão resultou uma segunda acusação para o mesmo homicídio, que imputa o crime àquele casal.
O casal e Armindo Castro estão agora a ser julgados, ao mesmo tempo e pelo mesmo crime, no Tribunal de Guimarães, mas com acusações diferentes.
O homem que em 2014 assumiu a autoria do crime também já disse, em tribunal, que a sua intenção era apenas roubar a vítima, sua vizinha.
Disse que, quando já estava no interior da casa da vítima, a campainha tocou e, sem saber o que fazer, lhe deu com um pau na cabeça.
A acusação diz que a vítima foi morta à paulada e à facada, mas o mesmo arguido assumiu apenas "uma paulada".
Disse ainda que agiu "pressionado" pela companheira, já que o casal atravessava problemas financeiros e não tinha meios para pagar as contas da casa, e acrescentou que o assalto foi "planeado" entre os dois.
A mulher negou qualquer participação na preparação ou na execução do crime.
O homicídio ocorreu na noite de 29 de março de 2012, mas o corpo da vítima só seria encontrado 14 dias depois, por uma vizinha.
Três meses mais tarde, a PJ deteve um sobrinho da vítima, Armindo Castro, pela alegada autoria do homicídio.
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