Rúben Cunha morreu há 11 anos electrocutado ao tocar num semáforo do Campo Grande. Os seus pais, Isabel e Francisco Cunha, venceram a primeira batalha judicial contra a Câmara Municipal de Lisboa e a empresa que fazia a manutenção do equipamento que provocou a morte do seu filho, mas estão agora no início de outro braço-de-ferro judicial: acusam os primeiros advogados que os representaram, António Pinto Pereira e João Perry da Câmara, de lhes cobrarem dinheiro a mais, através de duplicação de horas e despesas.
Em causa estão cerca de 25 mil euros que os causídicos reclamam aos pais de Rúben, depois de Isabel e Francisco já terem pago mais de 12 500 euros de honorários relativos a oito meses de trabalho – entre 16 de Julho de 1997 e 30 de Março de 1998. Quase sete anos depois da audiência preliminar, o julgamento do casal tem hoje início no Palácio da Justiça, em Lisboa. O processo está entregue à 1.ª secção da 15.ª vara.
PERITO VAI TESTEMUNHAR
Os pais de Rúben, que têm como principal trunfo um relatório pericial que concluiu pela “duplicação de horas de trabalho e de despesas” – 27 horas duplicadas e 62 horas introduzidas em relatórios já fechados –, estão confiantes de que o julgamento terminará com uma decisão favorável. “Este caso vai fazer história. Eu confio na Justiça. Ou será que quem duplica horas de trabalho a um cliente que perde um filho, num momento complicado da sua vida, é credível?”, questionou Francisco Cunha ao CM. O pai do menino vai, aliás, apresentar como testemunha um dos peritos que analisou as contas apresentadas pelos dois advogados.
Por seu lado, os causídicos, autores da queixa que começa hoje a ser julgada no Palácio de Justiça, têm entre as testemunhas de Defesa o ex-presidente da Câmara Municipal de de Lisboa, João Soares. À altura da morte de Rúben Cunha, o actual deputado socialista.
Para a primeira audiência, agendada para hoje, estão marcados os depoimentos dos réus, Francisco e Isabel Cunha.
Recorde-se que a acção cível de cobrança de honorários foi interposta em 1999, numa altura em que ainda decorria o processo dos pais contra a autarquia e a empresa encarregue da manutenção dos semáforos de Lisboa. Depois do diferendo com os primeiros advogados, os pais de Rúben contrataram João Nabais, a quem pagaram apenas cerca de seis mil euros ao longo de três anos. Acabaram por ganhar o processo, sendo ressarcidos em cerca de 220 mil euros.
CONTAS FORAM APROVADAS PELA ORDEM
Os pais de Rúben e a primeira equipa de advogados que os representaram no processo contra a Câmara de Lisboa e a empresa encarregue da manutenção dos semáforos na capital estipularam o valor dos honorários em 30 mil escudos à hora (cerca de 150 euros), com uma apresentação de contas de dois em dois meses.
António Pinto Pereira e João Perry da Câmara – ex-vice-presidente da Ordem dos Advogados – apresentaram uma conta de cerca de 25 mil euros – 4900 contos à data –, depois de já terem recebido 12 500 euros dos seus clientes.
Confrontados com contas que estavam longe de lhes parecerem correctas, Fernando e Isabel Cunha recorreram à Ordem dos Advogados, alegando facturação de serviços não prestados. No entanto, esta instituição aprovou as contas apresentadas por Pinto Pereira e Perry da Câmara, negando-se a dar razão aos queixosos.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.