Artur Albarran foi alvo de chantagem por parte de uma advogada com a inscrição suspensa na Ordem dos Advogados (Ana Costa Alves), uma chefe de divisão da Procuradoria-Geral da República (PGR), e dois empresários, por causa de um processo de infracções fiscais – em que o antigo apresentador estará envolvido – que está a ser investigado por um departamento da Procuradoria-Geral da República.
Perante o que lhe estava a suceder, Albarran queixou-se às autoridades, pelo que os quatro indivíduos, ontem presentes a Tribunal, foram detidos na sexta-feira pela Polícia Judiciária, através da Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF), face à forte indiciação da prática de crimes de corrupção, extorsão e violação do segredo de Justiça. A ‘Operação Anel’, segundo designação da PJ, tinha chegado ao fim.
Lisa Albarran contactou ontem o Correio da Manhã, dizendo que já estava a par da situação, mas mostrou-se surpreendida com o facto de uma das pessoas que foi ontem ouvida no TIC ser uma "grande amiga" do seu ex-companheiro. "Sei que a advogada Ana Costa Alves [defendida por Rogério Alves, como o próprio confirmou ontem ao CM] e o Artur eram amigos íntimos. Se calhar, agora, estão zangados. Tudo indica que sim, caso contrário, o Artur não se tinha queixado dela à Polícia", referiu.
De acordo com o que o o nosso jornal apurou, a "história" da chantagem começou quando a chefe de divisão da secretaria da Procuradoria-Geral da República verificou que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) estava a investigar um crime de infracções fiscais, em que uma das pessoas alegadamente envolvidas seria Albarran. Como o lugar que ocupa na secretaria da PGR lhe dava acesso aos processos em curso, fotocopiou o que dizia respeito ao antigo apresentador. Mais tarde, e com a ajuda dos restantes envolvidos, Albarran foi contactado e pediram-lhe 100 mil euros pela totalidade das fotocópias. Albarran terá aceite, mas pediu que o ‘bolo’ fosse dividido em ‘tranches’. Após este primeiro contacto, o agora empresário contactou a Polícia Judiciária e, na altura do pagamento da primeira "tranche", no valor de mais de vinte mil euros, na noite da passada sexta-feira, as autoridades apanharam em flagrante o grupo de quatro pessoas, na residência da funcionária da PGR.
O CM sabe, ainda, que a chefe de divisão da PGR pode estar envolvida em mais situações de chantagem e que Artur Albarran pode vir a ser constituído arguido, dado ser uma das pessoas que está a ser investigada pelo DCIAP num processo por infracções fiscais.
À hora do fecho desta edição, as quatro pessoas denunciadas por Albarran ainda estavam a ser ouvidas pelo juiz de turno do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.
Contactado pelo nosso jornal, Rogério Alves confirmou que representava Ana Costa Alves, recusando prestar mais declarações.
ARGUIDOS ESPERAM DEZ HORAS POR AUDIÇÃO
10h00 - Os quatro suspeitos dão entrada no Tribunal de Instrução Criminal, em Gomes Freire, detidos pela Polícia Judiciária.
18h11 - O advogado Rogério Alves, defesa de um dos arguidos, a ex-advogada Ana Costa Alves, saiu para tomar café numa pastelaria nas imediações
19h30/20h00 - O juíz do TIC começa a interrogaro primeiro arguido.
21h30 - O advogado Rogério Alves volta a sair do edifício do TIC para ir jantar. Informa os jornalistas que continua o interrogatório do primeiro suspeito, sendo o seu cliente o segundo na linha de interrogatórios. À mesma hora saíram os funcionários de turno, também para jantar.
21h50 - Os funcionários regressam do jantar.
PROCURADOR SUBLINHA "COLABORAÇÃO EXCELENTE"
O procurador-geral da República, José Souto Moura, sublinhou ontem à noite a “colaboração excelente” entre o Ministério Público (Direcção Central de Investigação e Acção Penal - DCIAP) e a Polícia Judiciária (Direcção Central de Investigação e Combate à Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira - DCCCEF), a qual permitiu a detenção dos quatro suspeitos “um mês após a denúncia”.
Numa referência à funcionária da secretaria da Procuradora-Geral da República, Souto Moura salientou ter havido a“preocupação” por parte dos investigadores de “não deixar escapar fosse quem fosse”. Ao longo da entrevista, em que também o processo Casa Pia foi abordado, o Procurador-Geral da República contou o evoluir deste caso desde o início garantindo que as partes processuais propostas à vítima de chantagem a troco de dinheiro eram parte de um processo-administrativo (infracção fiscal) e não de um processo-crime. Souto Moura recusou precisar os montantes em causa na infracção fiscal, bem como o nome dos envolvidos.
Ex-jornalista, ex-publicitário, empresário. Este o percurso de Artur Albarran, com cerca de 50 anos, que passou ainda por revolucionário em 1975, até chegar, nos anos 90, a braço direito nos negócios em Portugal do ex-embaixador norte-americano e chefe da CIA, Frank Carlucci, sendo o presidente da imobiliária Euroamer, com interesses também na hotelaria e distribuição de géneros alimentares.
O último ano não foi muito propício para Albarran: a separação polémica da ex-mulher Lisa Hardy, de quem tem duas filhas pequenas, com acusações mútuas; alegados escândalos sexuais durante o Verão; e, por último, o deslizar dos negócios, com a alegada falência da cadeia de supermercados ‘Superamérica’, sob a acusação de uma dívida da ordem dos 4668 euros a fornecedores.
A 1 de Abril, nasceu-lhe o sexto filho, uma menina, fruto da relação actual com Sandra Nobre.
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