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Wendel contraria versão de Jesus ao dizer que Bruno de Carvalho falou ao plantel após ataque à Academia do Sporting

Maximiano e Wendel repetem esta quarta-feira o depoimento depois de uma falha nas gravações da última sessão em que estiveram presentes.
Sofia Garcia, Correio da Manhã e Lusa 15 de Janeiro de 2020 às 10:44
Fachada do edifício do Tribunal Criminal de Lisboa em Monsanto
Fachada do edifício do Tribunal Criminal de Lisboa em Monsanto FOTO: Pedro Simões

O processo da invasão à Academia do Sporting regressa esta quarta-feira ao tribunal de Monsanto. João Reis, roupeiro do Sporting foi o primeiro a ser ouvido e relatou um cenário de "guerra" e caos nos balneários. Ao longo da manhã será ainda ouvido Hugo Fontes, fisioterapeuta do Sporting. 

Já a partir da 14h00, Luís Maximiano e Marcus Wendel voltam a depor por videoconferência no Tribunal do Montijo. Os atletas do SCP deverão entrar por uma porta privilegiada, nas traseiras daquele tribunal, conduzidos por uma viatura do clube de Alvalade.  

O processo, que está a ser julgado no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, 'Mustafá', líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e 'Mustafá' também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Ao minuto: 

16h24 - 
Wendel assumiu esta quarta-feira em tribunal que Bruno de Carvalho falou com o plantel todo após o ataque à academia de Alcochete e acrescentou que nunca se recusou a falar com o antigo presidente, contrariando a versão apresentada por Jorge Jesus.

"Ele [Bruno de Carvalho] falou com todos, falou com o grupo", respondeu o médio brasileiro, depois de questionado pela juíza presidente se o então presidente do clube Bruno de Carvalho esteve na academia logo após o ataque e se falou com o plantel.

Esta versão contraria a apresentada em tribunal pelo então treinador do Sporting Jorge Jesus, que afirmou que os jogadores se recusaram falar com Bruno de Carvalho, e pelos restantes jogadores que revelaram em julgamento não terem falado com o antigo presidente do clube após a invasão.

No depoimento realizado em 07 de janeiro, Jorge Jesus afirmou que os jogadores se recusaram falar com Bruno de Carvalho.

"Todos os jogadores foram para a sala de estar para não se encontrarem com ele. Nenhum queria falar com ele. Houve um telefonema a dizer que o presidente vinha à academia. Alguns jogadores até disseram: 'nem vale a pena ele vir'. Os jogadores afastaram-se dele, fugiram dele", referiu Jorge Jesus, durante o seu testemunho.

Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, perguntou hoje a Wendel se se referia aos seus companheiros (plantel) quando falou em "grupo todo", tendo o médio respondido 'claro'.

Wendel foi mais longe e afirmou que não ouviu nenhum colega dizer que não queria falar com Bruno de Carvalho, nem que, ele próprio, tenha dito alguma vez que não falava com o então presidente do Sporting.

Wendel e Luís Maximiano foram ouvidos em 09 de dezembro de 2019 por videoconferência, mas devido a falhas na gravação, tiveram de repetir hoje os testemunhos a partir do Tribunal do Montijo, na 19.ª sessão do julgamento da invasão à academia 'leonina', em 15 de maio de 2018, com 44 arguidos, incluindo o antigo presidente do clube Bruno de Carvalho, que decorre no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

Wendel repetiu ainda que foi agredido com estaladas na cara por um dos elementos e que viu "agressões a outros companheiros", nomeadamente Acuña e Misic, que levaram chapadas.

O médio referiu ter ouvido frases como "não eram jogadores para o Sporting" e mandaram retirar as camisolas, tendo visto uma tocha no chão. Wendel reiterou que ficou com medo que este tipo de situação voltasse a acontecer.

Questionado sobre a reunião de 14 de maio de 2018, a testemunha reiterou o que havia dito no primeiro depoimento: que não se recordava dessa reunião.

Luís Maximiano relatou novamente as agressões aos jogadores William Carvalho, Rui Patrício, Bataglia, Montero, Acuña e Misic, este último atingido com um cinto na cara, enquanto os restantes foram agredidos com empurrões, pontapés e murros.

Max reiterou ainda ter visto tochas arremessadas, uma das quais atingiu na barriga o então preparador físico Mário Monteiro.

O jovem afirmou ainda ao coletivo de juízes, presidido por Sílvia Pires, ter ouvido uma frase dita por um dos invasores.

"Não ganhem domingo, que vocês vão ver", relatou o guarda-redes, em alusão à final da Taça de Portugal, que se jogou no domingo seguinte, 20 de maio, a qual o Sporting viria a perder 2-1 contra do Desportivo das Aves.

12h15 - 
O fisioterapeuta esteve presente na reunião na véspera do ataque à academia, entre os elementos do 'staff' do Sporting e Bruno de Carvalho, na qual estiveram igualmente outros elementos do Conselho de Administração.

A reunião decorreu em 14 de maio de 2018, no Estádio José de Alvalade, no dia seguinte à derrota do Sporting contra o Marítimo por 2-1, que significou a perda do segundo lugar do campeonato para o Benfica e levou à troca de palavras entre jogadores e elementos da claque Juventude Leonina, nomeadamente envolvendo o jogador Acuña, primeiro no relvado, após o jogo, e depois no Aeroporto do Funchal.

Hugo Fontes assumiu hoje ter ficado "surpreendido" quando, nessa reunião, Bruno de Carvalho "desvalorizou" a Taça de Portugal.

12h10 - 
O fisioterapeuta descreveu depois as agressões aos dois jogadores argentinos, que foram atingidos com "pontapés, socos e murros", e que viu também o colombiano Fredy Montero "a ser esbofeteado", no meio de "muita confusão, ameaças, fumo e o alarme a tocar".

12h00 -
"Foi inesperado e muito repentino" e deixou toda a gente "surpreendida e petrificada", relatou Hugo Fontes. O fisioterapeuta contou que estava no balneário aquando da invasão e que começou por ouvir perguntar pelos jogadores Battaglia e Acuña, e que este último "tentou refugiar-se no cacifo".

11h47 - Fala agora Hugo Fontes, fisioterapeuta da equipa. "Acuña tentou proteger-se no cacifo", revela. 

11h30 - 
O roupeiro do Sporting João Reis disse ter visto os jogadores Bas Dost e Misic a serem agredidos com um cinto, na cabeça e na face, respetivamente, por um dos invasores à academia de Alcochete.

Declarou que, após o ataque, o estado de espírito era de "raiva e com um sentimento de revolta", além de os profissionais do Sporting ficarem "tristes e assustados".

João Reis explicou que um dos elementos atingiu Bas Dost na cabeça, quando o futebolista holandês se encontrava no corredor de acesso ao balneário, acrescentando que, na sequência da agressão, "a fivela do cinto partiu e caiu ao chão".

Já no balneário, o roupeiro contou que o jogador Misic foi atingido "na cara" também com um cinto.

"Fiquei com a ideia de que era o mesmo indivíduo, pois o cinto já não tinha a fivela", afirmou a testemunha, sublinhando ter visto ainda o então preparador físico Mário Monteiro com a camisola queimada, por ter sido atingido com uma tocha lançada pelos invasores.

Ainda no interior do balneário, viu o jogador William Carvalho dizer para um dos elementos "eu conheço-te, eu conheço-te", além de empurrões, gritos e palavras de ordem como "vocês são uma vergonha, tirem a camisola" ou "não ganhem no domingo que vocês vão ver", em alusão à final da Taça de Portugal entre o Sporting e o Desportivo das Aves, que se realizou no domingo seguinte, 20 de maio, e que o clube 'leonino' perdeu por 1-0.

João Reis afirmou que ouviu alguém perguntar pelo jogador Acuña, dando conta de que entraram no balneário entre "20 a 30 elementos encapuzados".

A testemunha, que inicialmente estava na rouparia, relatou que Rolan Duarte, elemento do 'staff' do Sporting, lhe telefonou para que fechasse as portas da academia, pois estavam a entrar adeptos.

10h31 - João afirma que depois do jogo com o Marítimo,o Bruno [de Carvalho] estava muito exaltado".

10h31 - 
João Reis, roupeiro do Sporting, começou a ser ouvido. Relata terror e caos no ataque à Academia: "Aquilo parecia uma guerra, o balneário ficou todo destruído com tudo espalhado pelo chão".

10h20 -
Iniciam-se os trabalhos no tribunal de Monsanto. 

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