A sociedade portuguesa está a passar por um período de "mal-estar" que, caso se mantenha, poderá originar uma "crise social de contornos difíceis de prever", segundo alertou quinta-feira a a Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES).
Num comunicado divulgado no seu portal, a SEDES, uma das mais antigas associações cívicas de reflexão do país, sustenta que "sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal-estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional".
De acordo com a SEDES, esse "mal-estar" deve-se a "sinais de degradação da qualidade cívica", como a "degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários", a "combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma Justiça ineficaz" e o aumento da "criminalidade violenta" e do "sentimento de insegurança entre os cidadãos".
A SEDES refere ainda que o Estado "tem uma presença asfixiante" na sociedade, não deixa um espaço "verdadeiramente" livre à iniciativa privada e "demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados".
A associação apela à intervenção do Presidente da República e pede aos partidos políticos para que se abram à sociedade com vista a combaterem esta "crise social".
O comunicado é assinado pelo conselho coordenador da SEDES, do qual fazem parte Vítor Bento, que o preside, Alves Monteiro, Luís Barata, Campos e Cunha, Ferreira do Amaral, Henrique Neto, Ribeiro Mendes, Paulo Sande e Amílcar Theias.
CAVACO SILVA: "TRABALHAR PARA VENCER"
O Presidente da República reconheceu que há dificuldades em Portugal a nível social, mas defendeu que os portugueses não se deven "resignar".
"É preciso mobilizar os portuguses para as vencer", afirmou, instando "os portugueses a trabalhar para vencer as difiduldades".
PS: PAÍS ATRAVESSA PROCESSO REFORMADOR
Comentando o alerta de "crise social" lançado pela SEDES, o porta-voz do Partido Socialista, VItalino Canas, afirmou hoje que o país vive "um processo de reformas intensas em vários sectores que tem impactos na vida das pessoas, mas também tem resultados".
PSD: DIANGNÓSTICO É "CORRECTO"
O líder parlamentar do PSD, Pedro Santana Lopes, considerou que o "diagnóstico é correcto". "Algo estranho se passa na sociedade portuguesa", afirmou Santana, acrescentando que existe "falta de mtivação" e falta de esperança de que "a vida melhore".
BE ACUSA CORTES NAS DESEPSAS SOCIAIS
João Semedo, do Bloco de Esquerda (BE), reagiu ao alerta lançado pela SEDES salientando que "a diminuição significativa das despesas sociais do Estado" nos últimos anos contribuiu para o agravamento da "degradação e das desigualdades sociais", favorecidas por "um crescimento económico medíocre" e por desequilíbrios nos rendimentos.
PCP ATRIBUI MAL-ESTAR A POLÍTICAS DO PS E PSD
O Partido Comunista Português (PCP) atribuiu hoje "o mal-estar social" que se vive em Portugal às políticas de "ataque" aos direitos sociais prosseguidas nos últimos anos por socialistas e sociais-democratas. "É um facto que existe na sociedade portuguesa um enorme mal-estar em resultado das políticas de cerceamento de direitos sociais, laborais e até políticos", disse Rui Fernandes, da comissão política do PCP, num comentário ao relatório da SEDES.
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