As comemorações oficiais da Batalha de Aljubarrota, este ano presididas pelo ministro da Defesa, decorreram num ambiente de contestação, por se limitarem ao campo militar de S. Jorge, Porto de Mós, deixando de fora os concelhos da Batalha e Alcobaça, onde as câmaras municipais festejaram com as populações.
"Gostamos muito de falar da Batalha de Aljubarrota e exigimos que a data seja festejada", disse Isabel Coelho, moradora na localidade, considerando "injusto" as comemorações oficiais não incluírem a terra que lhe deu o nome.
Os presidentes das câmaras de Alcobaça e da Batalha foram informados das comemorações já esta semana e por telefone, pelo que "não houve tempo" para "repensar" o horário das iniciativas programadas.
"O meu concelho está primeiro", disse António Lucas, presidente da Câmara da Batalha, que considerou "estranha e anormal" a forma como foi organizado o programa, deixando de fora uma deslocação ao Mosteiro, mandado construir após a vitória e onde está o túmulo de D. João I.
Os autarcas da Batalha, Alcobaça e Porto de Mós estão "receptivos" à organização de um programa de comemorações conjunto no futuro, de forma a que os "aspectos históricos" sejam valorizados no "sentido turístico", o único capaz de gerar "riqueza" para as populações.
Em Aljubarrota, o 618º aniversário da batalha decisiva para Portugal foi festejado ao final da tarde "com o povo e por vontade do povo", disse o adjunto do presidente da Câmara de Alcobaça, Eduardo Nogueira. À mesma hora, na Batalha, António Lucas, recebeu os emigrantes naturais do concelho, num encontro muito participado.
Em simultâneo, o ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, presidiu às cerimónias oficiais, realizadas no Campo Militar onde se travou a batalha, e assinou um protocolo de cooperação com a Fundação Batalha de Aljubarrota, que se propõe preservar, valorizar e recuperar o local "histórico, único e insubstimável", disse Alexandre Patrício Gouveia, do conselho de administração da fundação.
Embora a "geração de hoje" não tenha "mérito" na "grandiosidade e genialidade" do que se passou, tem "obrigação" de o preservar.
O protocolo prevê a construção de um centro interpretativo, a continuação dos trabalhos arqueológicos e a recuperação paisagística.
ARTESANATO
A padeira de Aljubarrota, que, segundo a lenda, matou sete castelhanos com a pá do forno, domina o artesanato em cerâmica da zona. Há peças para todos os gostos. Na foto, um dos modelos mais procurados, fabricado a partir de uma pasta líquida que é colocada num molde de gesso. O acabamento final é feito de forma artesanal por António Miguel.
MUSEU
Os turistas não puderam visitar ontem o Museu do Campo Militar de S. Jorge, que esteve fechado até à chegada do ministro da Defesa (19h). A decisão mereceu críticas, nomeadamente de Francisco Silva Alves, de férias na região, que havia escolhido a data para dar a conhecer o local à sua família, mas não o pôde fazer.
SINALIZAÇÃO
À entrada do Campo Militar há uma placa onde se pode ler: "Exército. Área Militar. Acesso Proibido (artigo 191 do Código Penal)". É certo que os terrenos são do Exército, mas é também certo que se pretende atrair cada vez mais visitantes. Não será já tempo de retirar a placa?
RELÓGIO
O antigo relógio da torre sineira de Aljubarrota, que está avariado há mais de 15 anos, deverá ser reinstalado nos próximos dias. Devia ter sido ontem, mas a complexidade do sistema não o permitiu. O relógio está a ser reparado há seis meses por dois técnicos da Marinha Grande.
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