Portugal continental esteve entre os dias 8 e 10 de julho em situação de alerta, nível de resposta mais baixo previsto na Lei de Bases da Proteção Civil.
As altas temperaturas que se verificaram nos últimos dias, em especial entre 11 e 17 de julho, colocaram o país em alerta e na situação inédita de contingência devido ao risco extremo de incêndio florestal.
Portugal continental esteve entre os dias 8 e 10 de julho em situação de alerta, nível de resposta mais baixo previsto na Lei de Bases da Proteção Civil.
A situação agravou-se e a 11 julho entrou em vigor a situação de contingência, nível intermédio entre o alerta e a situação de calamidade - patamar mais grave, que se prolongou até 17 de julho. Pela primeira vez foi decretado em todo o continente a situação de contingência devido ao risco extremo de incêndio rural.
Esta situação tinha sido declarada para o incêndio de Pedrógão Grande em 2017, que provocou a morte de 66 pessoas.
As temperaturas baixaram e a 18 de julho entrou novamente em vigor a situação de alerta que terminou na quinta-feira. Apesar de Portugal ter deixado de estar em situação de alerta, todo o dispositivo da Proteção Civil "vai manter-se no terreno com a capacidade máxima" e a situação volta a ser reavaliada no próximo domingo.
Medidas excecionais
A situação de alerta e de contingência implicaram "medidas de caráter excecional", como a proibição do "acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais", a realização de queimadas e de queimas, de trabalhos nas florestas com recurso a qualquer tipo de maquinaria e de trabalhos nos espaços rurais, bem como não foi permitido o uso fogo-de-artifício.
A situação de contingência obrigou ao imediato acionamento de todos os planos de emergência e proteção civil nos diferentes níveis territoriais e a passagem ao estado de alerta especial de nível vermelho, do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), para todos os distritos, com mobilização de todos os meios disponíveis.
Durante a situação de contingência, todos os cidadãos e entidades privadas podiam incorrer no crime de desobediência caso não fosse respeitado as ordens, orientações e solicitações.
Tempo quente
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os primeiros 17 dias de julho foram os mais quentes deste século.
O dia 13 foi o mais quente até à data e o quinto dia mais quente dos últimos 23 anos em Portugal Continental com um valor médio da temperatura máxima do ar de 40 graus centígrados. Neste dia todos os distritos de Portugal continental, à exceção de Faro, estiveram sob aviso vermelho, o mais grave emitido pelo IPMA.
Número de incêndios e área ardida
Também foi no dia 13 que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou o maior número de incêndios rurais este ano, num total de 193.
Desde 08 de julho que a ANEPC registou cerca de 1.700 incêndios, em que envolveram mais de 55.000 operacionais, 14.500 veículos e 895 missões de meios aéreos.
A área ardida em 15 dias está estimada em cerca de 45 mil hectares.
Dados provisórios recolhidos pelo ICNF dão conta que se registaram este ano cerca de 6.600 incêndios rurais, que provocaram quase 58.000 hectares de área ardida, 49% em povoamentos florestais, 38% em matos e 13% em área agrícola.
Este ano as chamas já consumiram mais do dobro do que em todo o ano de 2021 e a área ardida, até à data, é a maior desde 2017 e a segunda maior desde 2013.
Desde 2000 que os anos "mais negros" foram 2003, com cerca de 425.706 hectares de área ardida e 21 mortos, 2005, com cerca de 325.226 e 16 mortos, 12 dos quais bombeiros, e em 2017, com cerca de 500.000 hectares e 117 mortos.
Vítimas e prejuízos
Os incêndios que deflagram entre 08 e 21 de julho provocaram três mortos e 221 feridos, seis dos quais graves. Dos 221 feridos, 166 eram operacionais e os restantes civis.
Entre os mortos está o piloto de uma aeronave que morreu em Vila Nova de Foz Coa (Guarda) durante o combate a um incêndio e um casal de idosos que teve um acidente de carro a fugir ao fogo em Murça.
Desde o dia 08 foram retiradas das suas casas 1.067 pessoas e criadas 13 zonas de concentração e apoio à população, que acomodaram 510 pessoas.
Os incêndios dos últimos dias afetaram casas, algumas de primeira habitação e outras devolutas, anexos e campos agrícolas, infraestruturas de apoio e veículos. Os estragos ainda não estão contabilizados.
Maiores incêndios
O maior incêndio do ano, registado até hoje, foi o que começou no domingo, em Cortinhas, concelho de Murça e espalhou-se pelos concelhos de Vila Pouca de Aguiar e de Valpaços. A área ardida é estimada em mais de 12.000 hectares nestes três concelhos do distrito de Vila Real.
Leiria foi outro distrito fustigados pelos fogos, nomeadamente o incêndio que durante quase uma semana ocorreu em Abiul, no concelho do Pombal, e consumiu um total de 4.467 hectares.
Ourém, Palmela, Faro, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha, Mangualde, Fundão e Chaves foram ainda outros concelhos com incêndios que geraram preocupação aos operacionais e às populações.
Apoio internacional
O Governo português ativou a 10 de julho o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e estiveram a combater os fogos no país dois aviões Canadair de Espanha e outros dois de Itália.
Detidos e causas dos incêndios
Este ano a GNR já deteve mais de 50 pessoas pelo crime de incêndio florestal.
O último relatório do ICNF indicava que as queimas e queimadas são a principal origem dos incêndios rurais registados este ano, representando 62% das causas apuradas, enquanto 14% dos fogos foram provocados por incendiários.
Meios durante o verão
O DECIR deste ano conta com 12 917 operacionais, 3 062 equipas, 2 833 veículos e 60 meios aéreos.
Segundo o Governo, a frota dos 60 meios aéreos de combate a incêndios esteve "praticamente toda no ar em simultâneo" nos últimos dias, uma situação que "não é comum acontecer". O ministro da Administração Interna precisou que "houve um dia em que, dos 60 meios aéreos, estiveram 58 a atuar ao mesmo tempo".
Lusa/Fim
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