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Correio da Manhã

Portugal
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Aluno de 15 anos espanca auxiliar

Uma auxiliar de acção educativa da EB 2,3 de Paços de Brandão, Santa Maria da Feira, foi espancada a murro e a pontapé por um aluno, de 15 anos, na portaria do estabelecimento de ensino. Foi a segunda vez que Fátima Almeida, de 51 anos, foi agredida.
22 de Dezembro de 2008 às 00:30
O caso, que aconteceu há pouco mais de um mês junto à portaria da EB 2,3 de Paços de Brandão, não deixou indiferente a comunidade escolar
O caso, que aconteceu há pouco mais de um mês junto à portaria da EB 2,3 de Paços de Brandão, não deixou indiferente a comunidade escolar FOTO: Arquivo CM

Mas, mesmo assim, prefere o silêncio para não arriscar um processo disciplinar. Ao CM apenas confirmou o caso e deixou escapar um lamento: "Trabalhei numa escola no bairro do Cerco, no Porto, e nunca me aconteceu nada disto."

O presidente do conselho executivo da EB 2,3, Rafael Barros, confirma os incidentes, mas diz que a última situação "está a ser empolada".

O caso remonta a 14 de Novembro e desde então a auxiliar tem estado de baixa médica. Segundo alguns amigos, "por causa das lesões, mas também por se sentir psicologicamente debilitada".

A agressão terá começado ao final da tarde quando um aluno, primo do agressor, que perdeu o autocarro, ameaçou a auxiliar dizendo que ela teria de o levar a casa, por ter perdido o autocarro. Fátima Almeida pediu-lhe respeito e foi aí que o primo do aluno resolveu entrar na discussão, ameaçando que lhe "fazia a folha". A auxiliar não se intimidou e tentou tirar o aluno do interior da portaria. Aí começaram as agressões.

"Ele deu-lhe um violento empurrão, ela caiu de costas, e ele, não satisfeito, começou a agredi-la com murros e pontapés nos braços e cabeça. Só parou quando o primo lhe disse que já chegava", contou ao CM fonte ligada à escola. Fátima Almeida tentou fugir para pedir socorro, mas desmaiou pelo caminho e só acordou no hospital.

O aluno continua a frequentar a escola, o que revolta os auxiliares da mesma, que dizem ter medo de serem também agredidos.

Actualmente, entre os alunos o agressor é visto como um herói, o que faz aumentar a revolta dos funcionários e também de encarregados de educação.

AGRESSÕES SÃO DIA-A-DIA EM VÁRIAS ESCOLAS

São inúmeros os casos de violência ocorridos no meio escolar. O CM recorda alguns episódios mais recentes: em Abril, um aluno de 16 anos agrediu com um murro na cara uma cozinheira da Secundária do Laranjeiro, Almada. A agredida apresentou queixa na PSP. Quem também se queixou foi uma professora de uma escola do Barreiro. Foi agredida a pontapé por uma aluna de 11 anos. Há dois anos, um casal, familiar de um aluno de uma escola básica no Lumiar (Lisboa), entrou na escola e agrediu uma professora, que recebeu assistência do INEM. Uma educadora de um jardim-de--infância de Celorico da Beira foi agredida pela mãe de uma criança de seis anos. Uma aluna de uma escola do Porto envolveu-se em violência física com uma professora devido a um telemóvel.

PROCURADOR ALERTOU PARA AS DENÚNCIAS

A violência na escola foi assumida como uma preocupação do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que ouviu pais e professores. O problema traduz-se nas denúncias: 57 casos no primeiro semestre de 2008, só no distrito judicial de Lisboa. O que levou Pinto Monteiro a lançar alertas: "Um miúdo de 15 anos que bate no professor e a directora, com medo, não participa, é uma situação tremenda." "Tenho elementos seguros de escolas em que os alunos vão armados com pistolas de 6,35 e 9 milímetros." "A violência escolar funciona como uma espécie de embrião para níveis mais graves de criminalidade."

PORMENORES

TRÊS CASOS NUM ANO

A juntar a esta agressão, soma--se no último ano a violência sobre outras duas auxiliares por alunos, na altura suspensos de ir às aulas. No processo cível, os casos foram arquivados por os alunos serem menores.

DEVEM IGNORAR

Após a última agressão, um grupo de pais e os funcionários da EB 2,3 pediram uma reunião de emergência com a direcção da escola. Foram aconselhados, pelo responsável, a não reagir às provocações dos alunos e a ignorar as ameaças.

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