Produtores de castanha queixaram-se de ter perdido uma importante fonte de rendimento.
Uma linha de apoio aos produtores pecuários, um aviso para a reposição do potencial produtivo e atribuição de novos direitos para plantação de vinha, são algumas das medidas anunciadas para apoiar os agricultores afetados pelo incêndio de Murça.
Entre os dias 17 e 21 de julho, o incêndio atingiu uma área de cerca de 8.900 hectares. Com início em Cortinhas, Murça, as chamas avançaram para os concelhos vizinhos de Vila Pouca de Aguiar e de Valpaços, no distrito de Vila Real.
Após o fogo, produtores, nomeadamente de castanha, queixaram-se de ter perdido uma importante fonte de rendimento e pediram a ajuda do Governo para recomeçar.
Os presidentes das câmaras de Murça, Mário Lopes, de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado, e de Valpaços, Amílcar Almeida, reuniram-se na quarta-feira com o secretário de Estado da Agricultura, Rui Martinho, e divulgaram esta quinta-feira algumas medidas minimizadoras dos prejuízos provocados pelo incêndio.
Nesse sentido, e segundo os municípios, será, "de imediato", criada uma linha de apoio financeiro aos produtores pecuários considerando o efetivo animal (por cabeça) e, até ao final de agosto, será publicado um aviso no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), visando a reposição do potencial produtivo, comparticipado em 100% nos primeiros 5.000 euros e em 85% em montantes superiores.
Haverá ainda a possibilidade de atribuição de novos direitos para plantação de vinha, em compensação da área preexistente ardida e, para os apicultores, será garantido o fornecimento imediato de alimentação para as colónias através da Federação de Apicultores de Portugal e entidades representativas.
Foram ainda divulgadas outras medidas de planeamento e de compensação partilhadas com a Secretaria de Estado das Florestas e o Ministério do Ambiente, tais como reposição do potencial produtivo florestal, estabilização de solos, investimentos em projetos diversificados de índole local e estratégias de aproveitamento hídrico.
Com vista ao aumento de eficiência e eficácia, as ações acordadas para a área ardida deverão ser alvo de informação e acompanhamento conjunto permanente entre as câmaras municipais, a Direção Regional da Agricultura do Norte (DRAPN) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
O relatório da estimativa dos prejuízos, a que a Lusa teve acesso, revela que, em Murça, o incêndio afetou mais de 30% da área territorial total do concelho, tendo atingido as freguesias de Fiolhoso, Jou, Murça, Valongo de Milhais, União de Feguesias de Carva e Vilares e União de Freguesias de Noura e Palheiros.
Já em Valpaços, afetou essencialmente a freguesia de Carrazedo de Montenegro e Curros, tendo, em menor dimensão, afetado também as freguesias de Santa Maria de Émeres, Vales, e residualmente, a freguesia de Canaveses.
Relativamente a Vila Pouca de Aguiar, o incêndio atingiu as freguesias de Tresminas e Alfarela de Jales.
A área atingida é, maioritariamente, de mato e pinhal, mas afetou ainda uma área agrícola "muito significativa", sobretudo de castanheiros, mas também há prejuízos em parcelas de olival, amendoal e vinha.
O fogo destruiu também áreas de pastagens, potencialmente afetou, no conjunto dos três concelhos, 709 explorações agrícolas, e, quanto à atividade apícola, foram reportados prejuízos potenciais de aproximadamente 1.400 colmeias.
No terreno estão já a ser distribuídos fardos de feno para alimentação dos animais dos produtores afetados, resultantes de donativos de agricultores do Sul do país.
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