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Correio da Manhã

Portugal
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APANHADAS NUAS EM QUARTO DE DOENTE

O Hospital Central do Funchal abriu um inquérito interno para averiguar um episódio insólito ocorrido, na semana passada, com um doente que faleceu 24 horas depois.
16 de Setembro de 2003 às 00:00
O hospital averigua circunstâncias insólitas horas antes de doente morrer
O hospital averigua circunstâncias insólitas horas antes de doente morrer FOTO: Teresa Gonçalves (Noticias da Madeira)
O incidente, testemunhado por uma profissional de saúde, envolve duas mulheres, que estariam nuas em práticas “pouco ortodoxas” no quarto com o paciente. O tribunal irá determinar a realização ou não da sua autópsia e a PSP admite iniciar uma investigação ao caso.
Filomeno Paulo, presidente do conselho de administração daquele hospital, contou ao CM que o doente, um empresário na casa dos 70 anos, sem família directa, foi internado no hospital numa situação clínica aguda. Quis ficar num dos quartos particulares, acompanhado por uma mulher que se fazia passar por secretária, mas que permanecia ao seu lado 24 horas por dia.
“O que sei é que alguém teria surpreendido as duas mulheres numa situação anormal, estariam ambas nuas, mas o doente não”, afirma Filomeno Paulo.
Rejeitando a ideia que os três estariam envolvidos nalguma prática sexual, “porque um quarto particular não é um quarto de hotel”, aquele responsável hospitalar admite, contudo, a possibilidade “da prática de uma feitiçaria, porque a Romilda – curandeira brasileira muito conhecida na comunidade funchalense – faz esse tipo de práticas e consultas em todo o País, apesar de não a conhecer pessoalmente”.
RETRATOS DE CRISTO
“Diz-se que as duas mulheres estavam desnudadas, o doente estava vestido, e haveria retratos de Jesus espalhados no quarto, o que parece indiciar que estariam envolvidos nalguma prática de feitiçaria, talvez nalguma tentativa de melhorar o estado clínico do paciente”, afirma Filomeno Paulo.
Este responsável sublinha o facto de ainda estarem a decorrer as averiguações internas e que a primeira preocupação do hospital foi apurar a situação clínica do doente, até que começaram a circular notícias da situação insólita, designadamente no ‘Diário de Notícias da Madeira’ durante o fim-de-semana.
“Ainda não recebi qualquer relatório assinado por quem testemunhou, mas se se confirmar tudo oficialmente então deliberaremos junto do gabinete jurídico do hospital”, declarou Filomeno Paulo.
Contudo, aquele responsável hospitalar, com a especialidade de cirurgião pediátrico, relata aquilo que se fala entre os profissionais de saúde. As duas mulheres foram apanhadas em flagrante depois das 23h00 (o horário das visitas termina às 20h00) da terça-feira da semana passada. O doente viria a falecer na madrugada do dia seguinte.
EFEITO CASUAL
Confrontado com a eventual relação entre o episódio ocorrido no interior do quarto particular e o falecimento do doente, Filomeno Paulo rejeitou tal ligação.
“Houve um agravamento do estado clínico do doente, oncológico, mas o hospital fez o pedido da realização da autópsia, que na Madeira é determinada pelo Tribunal. Agora aguardamos uma resposta”, afirmou Filomeno Paulo.
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