Telma Carolina viveu ontem o pior dia da sua vida, quando viu o filho de 14 meses ser-lhe arrancado dos braços pelo ex-companheiro e levado para longe da sua vista. O drama da jovem de 23 anos, residente em Leiria, só terminou 14 horas depois, quando o bebé lhe foi devolvido, são e salvo, embora sujo, assustado e com arranhões na cara.<br/><br/>
"Ainda trazia a mesma fralda que levou daqui e chorou muito quando nos viu", contou ao CM a avó do menino, Fernanda Borges, que tão depressa não vai esquecer a angústia que sentiu ao ver o neto ser levado e nada poder fazer para o evitar. "Estava a chover, o menino sem nada a protegê-lo e na fuga até perdeu uma sapatilha", descreveu.
Telma Carolina estava a chegar a casa com o filho, pelas 23h00 de sábado, quando foi surpreendida pelo ex-companheiro, que estava escondido junto das escadas.
"Ele tirou-lhe o bebé do colo, a Telma tocou à campainha e eu desci logo, de pijama e tudo, mas já só o vi na esquina do prédio a fugir", contou Fernanda Borges, adiantando que o pai do neto se virou para trás e lhe disse: "O filho também é meu, tenho o direito de estar com ele e não o vou entregar."
De imediato foi dado o alerta para as autoridades policiais – PSP e PJ –, até porque o menino está doente e medicado e foi entregue à mãe pelo Tribunal por o pai não ter condições para o criar. Mas o bebé só viria a ser devolvido à mãe por volta das 13h30.
"O pai do meu filho ligou-me a dizer para ir buscar o menino ao Centro Comercial Maringá", contou Telma Carolina, adiantando que o ex-companheiro lhe disse para ir sozinha, mas, por precaução, foi com vários familiares e avisou a PSP.
AGREDIDA E INSULTADA
Desde que terminou a relação, Telma Carolina diz ter sido "várias vezes" agredida e insultada pelo ex-companheiro, que de vez em quando lhe faz esperas à porta de casa. "Já perdi a conta às vezes que fui à PSP fazer queixa dele e à Medicina Legal realizar exames, mas ninguém faz nada. E agora raptou-me o filho e dizem-me para ir ao tribunal", conta a jovem. A guarda e o exercício do poder paternal foram atribuídos "o mês passado" a Telma Carolina, por um juiz do Tribunal de Leiria, que não definiu ainda um regime de visitas por o pai não ter comparecido na audiência.
VIVE EM LOCAIS DEVOLUTOS
Telma Carolina e José Ciriaco viveram juntos, mas ela terminou a relação e foi para casa dos pais quando o filho tinha quatro meses. "Ele é toxicodependente e quando o filho nasceu tentámos ajudá-lo a deixar o vício. Ele começou por concordar, mas depois desistiu e a minha filha teve de sair de casa", explicou Fernanda Borges. O ex-companheiro de Telma trabalhava em feiras, mas entretanto desempregou-se e ocupa o tempo como arrumador de carros, pernoitando em locais devolutos.
RAPTA COM ARMA DE PLÁSTICO
Um homem, de 28 anos, residente em Lisboa, foi detido pela GNR de Vila Real, anteontem à noite, após ter raptado o seu filho, de seis anos. O indivíduo usou uma pistola de plástico para intimidar o tio e o avô da criança.
"Ele veio cá para levar o menino, mas eu disse que ele estava na escola. Não esperou e foi buscá-lo ao portão. Quando o meu filho foi à escola, ele apontou-lhe a pistola à cabeça e levou o meu neto à força", contou ao CM Luísa Martins. "Depois veio a casa e apontou a arma à cabeça do meu marido para fugir com o menino", lembrou a mulher.
O raptor, que não se conforma por a guarda do filho estar entregue à ex-mulher, foi detido pela GNR no McDonald’s de Vila Real, após ter jantado com o menor. "Temos medo que ele volte a qualquer momento", disse Luísa Martins.
PORMENORES
PANFLETOS NA CIDADE
Ontem de manhã, familiares de Telma Carolina afixaram dezenas de panfletos por toda a cidade, a pedir informações sobre o paradeiro do bebé.
SEM CHUPETA
O bebé, Martim José, foi levado pelo pai só com a roupa do corpo. "Nem a chupeta o bebé tinha para conseguir dormir. Deve ter chorado tanto...", diz a mãe.
DOENTE E MEDICADO
Martim José está desde quinta-feira com diarreia, tendo sido diagnosticada uma gastrenterite. Estava a ser tratado com um medicamento próprio, que não tomava desde que foi levado pelo pai.
"NÃO HÁ CRIME"
Contactado pelo nosso jornal, a meio da tarde de ontem, o Comando de Leiria da PSP informou que "não há crime" e que "a situação já está resolvida".
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