Advogado e ex-aluno diz que arguidos deram dinheiro e droga às vítimas para alterarem versões.
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O advogado Pedro Namora, ex-aluno casapiano, desvaloriza o ponto em que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem dá razão a Carlos Cruz. Ao CM, Pedro Namora, que se dirige sempre ao antigo apresentador de televisão como "pedófilo", diz que as provas que foram rejeitadas pelo Tribunal da Relação de Lisboa foram "todas forjadas" pelos arguidos.
"O que as pessoas não sabem é que as provas tinham sido todas forjadas", começou por dizer o advogado, que afiança terem havido contrapartidas para que as vítimas de abusos sexuais mudassem a sua versão.
"Eles pagaram aos jovens em dinheiro e também com o fornecimento de droga, para que estes voltassem atrás nas suas palavras e dessem informações diferentes, que iriam ajudar os arguidos. Certamente que o tribunal não sabe disto, mas eu sei o que estou a dizer", conta Namora, para quem é fácil autenticar esta versão. "Bastava que nessa altura as crianças tivessem sido ouvidas."
Depois de ter analisado o acórdão agora divulgado pelo tribunal de Estrasburgo, Pedro Namora destaca o conteúdo inicial do documento. "Se as pessoas lerem com atenção, perceberão que logo na página 5 o tribunal mostra-se profundamente chocado com a ideia do recorrente, o Carlos Cruz, de que o caso Casa Pia, o mais importante que envolve abusos sexuais no País, foi resultado de uma fantasia coletiva de alunos e antigos alunos da Casa Pia", conta o causídico, para quem este ponto é o mais importante em todo o acórdão.
"Como se pode interpretar por estas palavras, o tribunal não dá razão ao pedófilo Carlos Cruz", remata.
"Foi uma vitória à tangente"
"Foi uma vitória à tangente"Jorge Alves já ganhou vários processos judiciais no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. "Foram 169 ou 170", contou ao CM, sendo desafiado a analisar o acórdão do recurso de Carlos Cruz. Para o causídico, esta não deixou de ser "uma pequena vitória", em um dos quatro pontos apresentados pelo antigo apresentador de televisão no tribunal de Estrasburgo. E diz que este caso pode ainda ser marcado por "muitos recursos".
Jorge Alves relembrou que a Relação de Lisboa não podia ter analisado as novas provas em sede de recurso e que a vitória de Carlos Cruz foi "à tangente" com três votos vencidos em sete juízes.
O advogado diz agora que o Estado português pode vir a recorrer desta decisão e que também Carlos Cruz pode pedir nova revisão, junto do Supremo Tribunal de Justiça. "Com base nos novos documentos pode pôr-se em causa a credibilidade das testemunhas. Mas não acredito que a revisão seja feita", conta Jorge Alves.
Se a revisão não for feita, Carlos Cruz pode optar por, mais uma vez, dirigir-se ao Tribunal Europeu, queixando-se da não apreciação do Supremo Tribunal. "Isto é um processo que pode durar anos e anos".
PORMENORES
Escândalo em 2002
O processo Casa Pia despoletou em finais de novembro de 2002. Carlos Silvino, motorista da instituição e principal arguido, foi o primeiro a ser detido. Carlos Cruz, Hugo Marçal e Ferreira Diniz foram presos seis dias depois.
Início do julgamento
A 25 de novembro de 2004 começa o julgamento no Tribunal da Boa Hora, passando depois para o Tribunal do Monsanto e mais tarde para o Tribunal Militar de Santa Clara.
‘Bibi’ incrimina
Carlos Silvino, que ficou conhecido pela alcunha de ‘Bibi’, começou a depor a 16 de dezembro de 2004. No seu depoimento incriminou os restantes arguidos do processo.
Pedem absolvições
Já em 2009 têm lugar as alegações finais. A defesa de Carlos Silvino pediu em tribunal uma condenação a pena suspensa. Já os restantes arguidos pediram a absolvição.
Seis condenados
A 3 de setembro de 2010, quase seis anos após o início do julgamento, o coletivo de juízes decidiu condenar seis dos sete arguidos. Apenas Gertrudes Nunes foi absolvida.
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