Um homem com cerca de 50 anos foi detido na região do Grande Porto por suspeita de ter assassinado à facada o proprietário de um bar de alterne de Viseu, em Fevereiro de 1993 – há quase 14 anos –, anunciou ontem a Polícia Judiciária. O suspeito foi apanhado um ano antes de o crime prescrever.
Segundo o CM apurou, o suspeito, que na altura também exercia a função de porteiro noutro bar de diversão nocturna, deslocou-se ao bar O Diplomata, situado na berma da Estrada Nacional n.º 2, em Campo, Viseu, perto do local onde actualmente se localiza a discoteca Day After.
Às 04h00, após ter tomado algumas bebidas, desentendeu-se com um funcionário do estabelecimento “devido à qualidade do serviço prestado” e na altura em que o dono foi em auxílio foi agredido à facada até à morte. De acordo com a PJ, o homem detido na quarta-feira, “com a ajuda de outros indivíduos que o acompanhavam, manietaram a vítima e permitira a agressão com arma branca que lhe veio a causar a morte”. Da rixa resultaram ainda ferimentos graves no porteiro do bar que foi hospitalizado. Após o crime – o terceiro ocorrido no local num período de 15 anos – o bar fechou.
Apesar do grande aparato montado pelas autoridades com vista à captura do suspeito, o certo é que o indivíduo conseguiu escapar e andar fugido dentro do País até ser apanhado pela PJ do Porto. Para isso, o sujeito assumiu a identidade de um familiar próximo.
Segundo fonte policial, o alegado homicida estabeleceu-se nos últimos anos na zona de Vila Nova de Gaia, onde trabalhava por conta própria na construção civil. Após intenso trabalho de investigação, a PJ capturou o suspeito que na altura da detenção não ofereceu resistência.
O indivíduo foi anteontem presente para primeiro interrogatório ao juiz do Tribunal Judicial de Viseu, que lhe decretou prisão preventiva até à realização do julgamento.
Segundo os artigos 118.º e 121.º do Código Penal, um crime punível com pena de prisão máxima superior a dez anos (caso de homicídio) só prescreve 15 anos depois da sua prática – pelo que ao suspeito só lhe faltava um ano para se ver livre da Justiça. Com a detenção a contagem do prazo foi interrompida.
BAR FOI PLACO DE TRÊS HOMICÍDIOS
O bar O Diplomata foi considerado na década de 80 como um dos estabelecimentos de diversão nocturna mais procurados da região Centro do País, mas também foi palco de muitos actos de violência. Segundo o CM apurou, durante as quase duas décadas em que esteve em funcionamento o bar foi palco de três homicídios.
O primeiro ocorreu na madrugada de 15 de Junho de 1983, quando o porteiro Romão Oliveira, na altura com 49 anos, foi mortalmente atingido a tiro. A esposa, Maria Dorinda Marques, ainda ontem recordava a tristeza de ter perdido o marido, deixando-a com a responsabilidade de criar oito filhos, cinco deles menores. “Foi uma tristeza muito grande”, disse. O segundo homicídio vitimou Carlos Marques, na madrugada do dia 22 de Fevereiro de 1988. A vítima, que pertencia à corporação dos Bombeiros Municipais de Viseu, também foi atingido a tiro. Cinco anos depois o assassinato do dono sentenciou de morte o funcionamento de um bar muito procurado.
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