O sofá que era de Leonor Figueiredo, 69 anos, está coberto de sangue desde domingo. Nesse dia, o marido, irado de ciúmes, cumpriu o que há muito prometia. António Mesquita, 74 anos, pegou num martelo – e matou a mulher com seis marteladas na cabeça.
A vítima foi encontrada em casa, no Bairro da Torre, Cascais, ainda com vida. Morreu no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa.
Judite Mesquita, 42 anos, perdeu o pai e a mãe no mesmo dia: a mãe, Leonor, é enterrada hoje em Cascais; o pai, António Mesquita, está preso na cadeia de Caxias e, para Judite, deixou de existir.
A última imagem que Judite guarda da mãe “é terrível”, disse ao CM a angolana, em choque e sob efeito de calmantes. Judite chegou a casa pelas 14h00 e a mãe estava deitada no sofá, a descansar. Ao lado, sentado na poltrona, estava o pai. Esta foi a última vez que os viu sentados lado a lado.
Minutos depois, o pai chamou Judite à sala. “Deparei-me com a minha mãe coberta de sangue. As paredes, o chão, em todo o lado havia sangue e massa encefálica. Matou-a com um martelo”, garante.
Judite não consegue definir o que sente. Diz que não há palavras. Ainda está incrédula. Quando se deparou com aquele macabro cenário, perguntou ao pai o que tinha feito. Ele só respondeu minutos depois, perante uma vizinha alertada para a situação.
“Enquanto limpava a cara da minha mãe, ele foi trocar de camisa e tentar lavar o martelo. Mas não conseguiu”, recordou. As provas do crime foram recolhidas pela PSP.
Os bombeiros de Cascais foram chamados ao Bairro da Torre e ainda encontram Leonor Figueiredo com vida, embora inconsciente. Transportaram-na para o Hospital de São Francisco Xavier. Mas a vítima não resistiu e acabou por morrer.
António Mesquita saiu de casa algemado. Cumpriu o final trágico que durante anos prometeu à mulher. Aguarda julgamento em prisão preventiva na cadeia de Caxias.
A família prefere pensar que também ele morreu.
A IRMÃ NEM O QUER VER
“Sou irmã do assassino”, diz ao CM Maria Aurora Sarfati, de 69 anos. Está chocada com o irmão. Afirma que nunca mais o quer ver. Na semana passada esteve de férias no Bairro da Torre, a pedido do irmão. Uma semana, segundo diz, marcada pelas discussões entre António e Leonor. “Ele pensava que ela andava com outro homem”, afirma. Na quinta-feira, recorda, Leonor foi para o quarto. Enquanto António, visivelmente nervoso, pediu para vestir um casaco, dirigiu-se ao quarto e ameaçou a mulher de morte. Depois sacou de uma faca de cozinha e só não atingiu Leonor porque Maria Aurora interveio. Domingo, a familiar já nada pôde fazer. Leonor e António viviam com a filha, Judite, uma sobrinha de 18 anos e um serviçal, que António trouxe de Angola por não ter família.
VASSOURA
Um homem de 62 anos espancou até à morte a mulher, de 58 anos, com o cabo de uma vassoura.
O crime ocorreu no dia 7 em Lordelo, Paredes.
MARRETA
Uma mulher matou o marido à marretada, a 9 de Julho, em Penafiel. Disse à polícia que o marido tinha sido morto na sequência de um assalto.
MACHADO
Um homem de 54 anos dirigiu-se em Abril à GNR de Paredes para confessar que tinha morto a mulher a golpes de machado.
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