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Ataca professora “por desespero”

Doutorando de Física tentou matar docente à machadada.

19 de janeiro de 2018 às 08:46

Estava desesperado, sem ter dinheiro, com fome e medo de se tornar num sem-abrigo. Foi assim que Colin Gloster, antigo aluno de doutoramento na Universidade de Coimbra, justificou a atitude que teve em agosto de 2014, no departamento de Física, onde desferiu vários golpes com uma machada a uma professora.

O irlandês de 37 anos, à data com 34, assumiu as agressões, mas diz que nunca teve intenção de matar. Queria fazer justiça pelas próprias mãos, "num país onde ela é uma ilusão", disse o antigo estudante, acusado de homicídio qualificado na forma tentada. As agressões aconteceram depois de ter sido informado da dívida com propinas, superior a cinco mil euros, e da recusa do seu orientador de tese em o continuar a acompanhar.

Gloster chegou ao nosso país em 2008 com uma bolsa de estudo. O irlandês acusa a Universidade de Coimbra de lhe esconder "todas as formas de acesso à bolsa e apoio social que tinha. Isso é que é fraude", disse o investigador. Ao longo do tempo sentiu-se "maltratado e de forma desonesta pela professora", acusou o aluno, diagnosticado com autismo.

Na sessão de quinta-feira no Tribunal de Coimbra, a vítima recordou a agressão no interior da sala, onde foi atingida com uma machada que o aluno levava escondida, "sempre de cima para baixo", adiantou Filomena Figueiredo, que ficou com vários golpes nos braços. Lesões das quais ainda tem mazelas físicas e psicológicas. Desde a agressão que a professora diz que tem receio de andar sozinha na rua.

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