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Avioneta cai na EN125

Uma avaria no trem de aterragem esteve na origem da queda de uma avioneta, ontem à tarde, na EN125, próximo da entrada de Lagos. O piloto, José Manuel Coelho Jesus Horta, de 67 anos de idade, residente na Praia da Luz, sofreu apenas ferimentos na cabeça. O acidente vai ser averiguado pelo Instituto Nacional de Aviação Civil.

30 de outubro de 2006 às 00:00

A aeronave, um YAK-52, de cerca de 900 quilos, levantara voo poucos minutos antes do Aeródromo Municipal de Lagos. Tentava aterrar quando se despenhou, pelas 16h45, a cerca de 600 metros da pista.

Michael Kane, um piloto irlandês que se encontrava no local, disse ao CM ter visto o aparelho fazer uma abordagem à pista do aeródromo e bater no chão, pois o trem de aterragem não funcionou. “O piloto conseguiu levantar novamente a avioneta mas, momento depois, o aparelho caiu”, adiantou a testemunha, garantindo que José Horta é “um piloto muito experiente”.

O que o ocupante e também proprietário do YAK-52 não adivinhara fora que, ao embater pela primeira vez no solo, a hélice do aparelho ficara danificada. Impossibilitado de manobrar a avioneta, o piloto terá tentado usar a EN125 como pista de aterragem, facto presenciado por um automobilista que seguia naquela via: “Ia em direcção a Portimão quando a avioneta surgiu do lado direito da estrada, passando por cima do meu carro e caindo mesmo à minha frente”, revelou José Marreiros. A mesma testemunha adiantou que, apesar das dificuldades em estabilizar o aparelho, o piloto procurou evitar os carros que iam na estrada, guinando para a direita. “Nesse processo arrastou vegetação e alguma terra para a via, imobilizando-se mesmo a meio da faixa”, adiantou.

Em sentido contrário seguia uma ambulância do Hospital de Lagos, cujos tripulantes também presenciaram o acidente e prestaram os primeiros socorros à vítima. Rui Rodrigues, adjunto do comando dos Bombeiros de Lagos, esclareceu que o sinistrado “tinha um ferimento na cabeça mas estava consciente” quando foi levado para o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, em Portimão.

O cockpit ficou quase intacto, mas a violência do embate no solo fez com que José Horta batesse com a cabeça no painel de instrumentos. A aeronave ficou praticamente destruída. Uma das asas desapareceu.

Joe Horta, filho da vítima, disse ao CM que três horas depois do acidente o pai já se encontrava bem. “Vai ser suturado à ferida na cabeça e deve ficar internado, para observação”, esclareceu. “Foi um grande susto, mas nada mais”. Para Joe Horta, que também é piloto, o pai conseguiu sair praticamente ileso devido “à grande experiência que tem com aviões e, em particular, com o YAK-52”. Para Joe Horta, foi esse facto que impediu a tragédia: “Ao descer, já com a hélice danificada e sem trem de aterragem, conseguiu evitar as bombas de combustível junto à EN125 e apontou a um terreno junto à via. Só que encontrou linhas de alta tensão que o obrigaram a virar para a EN125, onde caiu”, esclareceu.

Engenheiro electrotécnico, José Horta foi emigrante nos Estados Unidos, onde há cerca de 15 anos começou a pilotar. De regresso a Portugal, instalou-se na Praia da Luz, na Quinta da Califórnia e tem um hangar próprio no Aeródromo de Lagos.

Devido ao acidente, a EN125 foi cortada naquele troço até às 19h50.

AERONAVE RUSSA É USADA EM TREINOS

O YAK-52 (Yakovlev) é uma avioneta de origem russa, utilizada naquele país para treino de cadetes. Destinado sobretudo ao voo acrobático, o aparelho foi criado em 1976, tendo sido concebido para actuar em ambientes difíceis e exige pouca manutenção. É descrito como sendo fácil de manobrar.

Desde os anos 90 – com o fim da União Soviética – muitos foram exportados para o Ocidente. Um deles terá sido o que foi adquirido pelo piloto português José Horta, que ontem caiu na EN125 – um YAK-52 com a matrícula RA-44462.

O filho do piloto, Joe Horta, garantiu ao CM tratar-se de uma aeronave “robusta e fiável, que nunca teve problemas. Tem três indicadores luminosos de aviso na aterragem, mas não sonoros”. A aeronave foi retirada por um camião-grua, para o Aeródromo de Lagos.

AUTO-ESTRADA

No dia 12 de Setembro uma avioneta aterrou na A1, junto à estação de serviço de Leiria, devido a um sobreaquecimento do motor que obrigou o piloto a fazer uma aterragem de emergência. O acidente não provocou vítimas. O aparelho foi rebocado.

CONCORDE

Um dos acidentes mais mediáticos ocorridos em zonas urbanas envolveu um Concorde da Air France. O aparelho caiu no dia 25 de Julho de 2000, na periferia de Paris. Morreram 113 pessoas. Quatro eram funcionários de um hotel atingido pelo avião.

ACIDENTES

Este foi o sexto acidente com meios aéreos ocorrido este ano em Portugal. No total morreram três pessoas e cinco ficaram feridas. O anterior ocorreu a 20 de Agosto, quando uma avioneta caiu ao largo da Boca do Inferno, em Cascais, provocando dois mortos.

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