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CAÇADOR LEVA 23 ANOS

O caçador de 49 anos que matou a tiro o guarda florestal António Pires no passado dia 31 de Janeiro na Herdade das Corças, concelho de Mora, foi ontem condenado pelo Tribunal Judicial de Arraiolos a uma pena de prisão de 23 anos pelo crime de homicídio qualificado.

07 de novembro de 2002 às 00:09

O homicida, David Jesus Silva, residente em Porto de Mós, distrito de Leiria, terá também de cumprir mais cinco meses de prisão pelo crime contra a preservação da fauna, uma vez que nesse dia estava a caçar antes da hora permitida.

Durante a leitura da sentença, o juiz sublinhou que o arguido nunca demonstrou qualquer arrependimento.

Na aplicação da pena foram levados em conta os antecedentes criminais do homicida, os depoimentos dos inspectores da PJ e os exames de balística, os quais confirmaram que o tiro foi disparado a “sangue frio e de forma traiçoeira” a um metro de distância da vítima.

António Pires, 55 anos, residente perto de Avis, encontrava-se naquele dia numa acção de fiscalização quando foi morto com um tiro na cabeça, às 07h20.

Nessa manhã estavam mais de 300 caçadores de todo o País perto do local do crime, considerado terreno de caça livre.

A vítima, que se deslocou sozinha para um dos locais da herdade, terá pedido a identificação ao homicida que estava a caçar pombos ilegalmente, e este terá reagido violentamente.

A viúva do guarda florestal e os seus dois filhos, uma rapariga de 25 e um rapaz de 28 anos, pretendiam também a pena máxima para o homicida.

“O meu marido nunca mais vê a luz do sol. Esse assassino até pode sair mais cedo da prisão. Tenho medo das vinganças”, disse Maria Pires.

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