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Campo de tiro da Força Aérea passa de Alcochete para Alter do Chão

Decisão foi tomada devido à construção do novo aeroporto Luís de Camões.

11 de março de 2026 às 17:46

O Campo de Tiro da Força Aérea, atualmente em Alcochete, distrito de Setúbal, vai passar para Alter do Chão, em Portalegre, devido à construção do novo aeroporto Luís de Camões, anunciou esta quarta-feira o ministro da Defesa Nacional.

"O futuro Campo de Tiro da Força Aérea será localizado em Alter do Chão, distrito de Portalegre", anunciou Nuno Melo, em conferência de imprensa no Ministério da Defesa Nacional, em Lisboa.

O governante salientou que a escolha da nova localização do Campo de Tiro "é um passo fundamental para que se proceda à desmilitarização dos terrenos" onde será construído o novo aeroporto da região de Lisboa.

Nuno Melo considerou que o novo Campo de Tiro constitui "uma oportunidade" para Alter do Chão, concelho do interior do país com perto de três mil habitantes, realçando que cerca de 200 militares e as suas famílias irão mudar-se para este território, "ajudando a dinamizar o comércio e os serviços, tendo filhos e outros elementos do agregado a estudar nas escolas, a trabalhar na região".

"A este concelho serão também assegurados investimentos que são importantes, investimentos compensatórios e não só, importantes para o seu desenvolvimento futuro", acrescentou, dando como exemplo "vias de comunicação" ou casas para os militares e suas famílias.

Interrogado sobre os custos da relocalização, Nuno Melo não adiantou um número exato, afirmando apenas que as verbas serão suportadas entre o seu ministério e o das Infraestruturas. O governante remeteu mais detalhes para a audição parlamentar prevista para quinta-feira.

Também não foi detalhado o local exato do Campo de Tiro no concelho, que segundo o ministro terá uma dimensão de cerca de 7.500 hectares.

Nuno Melo realçou que a conclusão do novo campo "é prioritária", uma vez que a desmilitarização dos terrenos em Alcochete implica a existência de uma nova localização disponível, "o que não invalida um conjunto de procedimentos deliberativos e administrativos até à obra final, nomeadamente estudos de impacto e outros, que são os que decorrem da lei e que serão feitos".

Quanto a prazos para o final da construção, Nuno Melo remeteu apenas para a lei, sublinhando "que tem prazos máximos", mas antecipou que serão "os mais curtos dentro das previsões legais" por haver um entendimento entre o poder central e autárquico para esta construção.

Questionado sobre a necessidade de expropriar terrenos no concelho, Nuno Melo salientou que parte da área abrangida é pública. Na área restante, havendo acordo, tal não será necessário, mas caso não haja a expropriação terá de acontecer.

"E aconteceria onde fosse porque Portugal tem que ter um Campo de Tiro", argumentou.

Ao seu lado, o presidente da Câmara de Alter do Chão, Francisco Miranda, eleito por uma coligação PSD/CDS-PP, agradeceu ao ministro "a sua visão estratégica e política" e manifestou-se convicto de que o novo Campo de Tiro irá dinamizar o seu concelho.

"Estou certo e creio firmemente que uma implantação de uma infraestrutura desta natureza no meu concelho provocará outra dinâmica, levando crianças para a escola, ajudando o comércio local, desenvolvendo tudo o que são as nossas infraestruturas que temos no nosso concelho", afirmou o autarca reeleito em 2025 para um segundo mandato.

A ANA Aeroportos prevê a abertura do novo aeroporto de Lisboa em meados de 2037, ou, com otimizações ao cronograma a negociar com o Governo, no final de 2036.

A concessionária estima que a obra custe 8,5 mil milhões de euros, dos quais sete mil milhões financiados através da emissão de dívida.

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