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CASAL MORRE INTOXICADO POR GASES

O casamento os uniu. A morte não os separou. Esse foi o destino do casal de idosos que ontem morreu supostamente intoxicado por vapores de gasolina de um carro que o homem estava a arranjar após um acidente ocorrido recentemente. O drama teve lugar na garagem da residência, na Rua Joaquim Carvalho da Costa, Águas Santas, Maia.

21 de junho de 2004 às 00:00

Marido e esposa jaziam lado a lado no fosso de reparação automóvel quando, cerca das 10h30 de ontem, um filho os encontrou.Tudo indica que já cadáveres. Suspeita-se que tenham passado a noite e madrugada na dura cama da morte.

“Como era costume, o filho vinha buscar os pais para a missa de domingo. Intrigado pelo facto de não atenderem, saltou o portão e vasculhou a casa, para finalmente deparar com eles naquele estado”, relata o vizinho Virgínio Carvalho.

Alertado via 112, o INEM enviou para o local uma ambulância. As tentativas de reanimação não funcionaram.

Manuel Bento Ramos, 75 anos, e Adelina da Silva Costa, 77, terminavam assim, de modo trágico, dezenas de anos de labuta como lavradores. Também juntos tinham corrido risco de vida, num recente acidente de viação.

“O Manuel retirava a gasolina do Peugeot, antes de enviá-lo à oficina. A mulher foi tentar socorrê-lo, mas acabou ficando lá”, conta o vizinho.

JANTAR FICOU FRIO NA MESA

“Veja só como é o destino. Eles escaparam do acidente na estrada, mas a morte insistiu em os levar. A mulher até ficou uns dias internada no S.João”, lamentava-se Maria da Conceição da Mota.

Vizinha das vítimas, ela assinala a outra ironia da tragédia. “A Adelina já tinha o jantar na mesa, quando foi alarmada por gritos insistentes do Manuel, que estava na garagem, às voltas com o carro”. Acorrendo ao chamado, ela terá surpreendido o marido já combalido, caído no fosso, por efeito dos gases.

Tentou ajudá-lo, mas não evitou igualmente ficar intoxicada. Conforme verificou a PSP, gotas de gasolina ainda caíam sobre os corpos, quando os meios de socorro chegaram à garagem.

No final da tarde de sábado, ao tocar a campainha sem ser atendido, o filho julgou que os pais tinha ido dar o habitual passeio.

“Ontem, ele até trazia uma regueifa de presente. Ao entrar na casa, vendo intocada a mesa do jantar, conclui que algo de muito grave se tinha passado”, refere.

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