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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

“Chefes da PJ queriam 15 por cento da droga”, revela informador da Judiciária

Dias Santos e Ricardo Macedo julgados por tráfico de cocaína da Colômbia, em Sines.

17 de outubro de 2018 às 01:30

Papy, barão da droga colombiano, mandou a Portugal emissários para saber o que tinha acontecido aos 280 quilos de cocaína enviados por via marítima. Um carregamento possível com a ajuda de Dias Santos – ex-coordenador do combate ao tráfico da PJ – e Ricardo Macedo – inspetor-chefe com funções de coordenador, agora suspenso. Um negócio em que os dois chefes da PJ iriam receber 15 % – cerca de dois milhões de euros – do valor da cocaína, segundo as informações prestadas ontem, na primeira sessão do julgamento, em Lisboa, por quem denunciou o esquema.

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Informador julgado em caso de tráfico diz que ex-coordenador da PJ era "facilitador de negócios"

António Benvinda, também ele arguido por tráfico, está sob proteção da Justiça e testemunhou por videoconferência, sem dar a cara, após ter revelado a ligação dos elementos da PJ ao tráfico de droga. O informador, que trabalhou na PJ há mais de duas décadas, contou que foi abordado por um amigo, João Freitas, que lhe perguntou se haveria forma de fazer chegar um contentor a Portugal. Falou então com Dias Santos – que conhecia dos tempos da PJ – e este com Ricardo Macedo. "Falava- –se que eles facilitavam este tipo de negócios", disse Benvinda.

O contentor, com latas de ananás, chegou ao porto de Sines, em junho de 2013. A carga foi intercetada, mas quando abriram o contentor este já tinha sido remexido. Ricardo Macedo terá dito que foi encontrada a cocaína nas latas. Mas os colombianos disseram que a droga estava escondida debaixo das paletes.

"O Dias dos Santos contou-me que tínhamos sido enganados pelo Macedo", recorda Benvinda. Foi a partir daí que os colombianos começaram a ameaçar os contactos em Portugal. "Eles estavam pouco amigáveis. Já sabiam tudo de mim e da minha família. A minha casa estava a ser vigiada", revelou a testemunha em tribunal. Temendo pela vida, viu-se "obrigado" a contar tudo na PJ e a entrar depois num programa de proteção de testemunhas.

PORMENORES

Lobo continua em fuga

O caso começou com 29 arguidos mas só estão a ser julgados 27: o traficante Franquelim Lobo, e outro, estão em fuga.

Comissão de 100 mil euros

Apesar de o valor não ter ficado definido, o informador disse que tinha esperança em receber 100 mil euros por ser intermediário. E seria Dias Santos a pagar-lhe.

Trocavam de telemóvel

Benvinda disse que ele e Dias Santos mudavam constantemente de telemóvel. Já Dias Santos e Macedo usavam o mesmo email para comunicar.

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