Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

Cidadão marroquino nega terrorismo e classifica acusação a "filme de Hollywood"

Arguido diz que "nunca recrutou ninguém nem financiou o terrorismo".
1 de Abril de 2019 às 14:01
Abdessalam Tazi (ao centro) está em prisão preventiva na cadeia de alta segurança de Monsanto
Abdessalam Tazi
Abdessalam Tazi, acusado de crimes de terrorismo internacional, incluindo recrutamento e financiamento de grupos terroristas
Abdessalam Tazi (ao centro) está em prisão preventiva na cadeia de alta segurança de Monsanto
Abdessalam Tazi
Abdessalam Tazi, acusado de crimes de terrorismo internacional, incluindo recrutamento e financiamento de grupos terroristas
Abdessalam Tazi (ao centro) está em prisão preventiva na cadeia de alta segurança de Monsanto
Abdessalam Tazi
Abdessalam Tazi, acusado de crimes de terrorismo internacional, incluindo recrutamento e financiamento de grupos terroristas
O cidadão marroquino Abdessalam Tazi negou esta segunda-feira em tribunal pertencer ao Daesh ou recrutar operacionais em Portugal, a troco de 1.500 euros mensais, e comparou a acusação a "um filme de Hollywood".

Na primeira sessão de julgamento, que começou esta manhã no Tribunal Central Criminal de Lisboa, o arguido, de 65 anos e que se encontra em prisão preventiva desde 23 de março de 2017 na cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, disse que "nunca recrutou ninguém nem financiou o terrorismo", considerado que a acusação "é como um filme de Hollywodd".

Tazi explicou que o processo teve origem "numa queixa caluniosa, difamatória e bem orquestrada" por dois alegados traficantes de droga, que se quiseram "vingar" dele, depois de ter recusado guardar haxixe na casa onde residia, em Aveiro, para ser vendido em Lisboa.

O arguido contou ao coletivo de juízes, presidido por Francisco Henriques que recusou a proposta, pois queria "ter uma vida tranquila e em paz", acrescentando que os traficantes lhe disseram que iria preso e que iriam fazer-lhe a vida "num inferno", tendo apresentado queixa, em março de 2015, na Polícia Judiciária e no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

"Tenho a consciência tranquila. Sou uma pessoa tranquila, contra a violência, pela paz, pela sã convivência e pela tolerância. Sou um simples muçulmano [origem sunita], não sou um pregador [da religião professada pela EI)", afirmou Tazi ao tribunal, negando ser salafista [ala mais radical e mais violenta do Islão] e que a religião "é muito pessoal".

Antes de chegar a Portugal, em 2013, num voo proveniente da Guiné Bissau, o arguido assumiu que esteve em países como o Canadá, Suécia, Noruega, Espanha, Irlanda, Finlândia ou França, e que casou com uma sueca e uma canadiana.

Tazi disse ainda que se demitiu da Polícia Judiciária marroquina em 1982 para ser um "ativista" da luta contra "a ditadura monárquica" do seu país e apologista da democracia, passando depois a ser porta-voz do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD).

Em França, acrescentou, fez "estudos universitários" de sociologia.

Em relação a Hicham El Hanafi, detido em França por estar envolvido na alegada preparação de um ataque terrorista, e que foi, segundo a acusação do Ministério Público português, radicalizado e doutrinado pelo arguido, Abdessalam Tazi negou as acusações, salientando que conheceu Hicham no centro de detenção no Aeroporto de Lisboa.

O julgamento prossegue na parte da tarde com o interrogatório do arguido e a inquirição de três testemunhas.

O arguido responde por oito crimes: adesão a organização terrorista internacional, falsificação com vista ao terrorismo, recrutamento para o terrorismo, financiamento do terrorismo e quatro crimes de uso de documento falso com vista ao financiamento do terrorismo.

Segundo a acusação do MP, Abdesselam Tazi deslocou-se várias vezes ao Centro de Acolhimento para Refugiados, no concelho de Loures, para recrutar operacionais para esta organização, prometendo-lhes mensalmente 1.800 dólares norte-americanos (cerca de 1.500 euros).

Abdesselam Tazi fez-se sempre acompanhar por Hicham El Hanafi, que havia radicalizado e recrutado em Marrocos, antes de ambos viajarem para a Europa. O MP diz que o processo de refugiado, os apoios e a colocação em Portugal deste suspeito foram idênticos aos do arguido, tendo ambos ficado a viver juntos no distrito de Aveiro.

"Pelo menos a partir de 23 de setembro de 2013, a principal atividade desenvolvida pelo arguido em Portugal consistia em auxiliar e financiar a deslocação de cidadãos marroquinos para a Europa e em obter meios de financiamento para a causa 'jihadista'", indica a acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

O MP conta que Abdesselam Tazi "passou a visitar regularmente" o Centro de Acolhimento para Refugiados (CAR) "para dar apoio às pessoas em relação às quais organizara a sua vinda para Portugal e outros migrantes jovens que pudessem ser radicalizados e recrutados para aderirem ao Daesh" (acrónimo árabe do grupo extremista Estado Islâmico), procurando convencê-las de "que teriam uma vida melhor se aderissem ao Daesh e fossem viver para a Síria".
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)