As 12 badaladas não transformaram a farda azul dos agentes da 2ª Divisão da PSP de Lisboa em fatos de gala nem os carros-patrulha em limusinas dignas de uma noite de réveillon.
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Cabia a estes homens e mulheres garantir que o conto-de-fadas de outros acabasse com final feliz. À porta da sede, em Olivais Sul, um grupo de agentes fumava o último cigarro antes de rumar ao Parque das Nações onde milhares aguardavam o fogo-de-artifício sobre o Tejo. A noite, agora calma, prometia agitação - minutos antes tiros na zona da Encarnação anunciavam os preparativos de uma noite de festa.
"Há gente embriagada que aproveita para fazer represálias. Chega a haver tiroteio de um prédio para outro", diz o agente principal António Manso, 41 anos. Seguimos para o cenário das festividades a tempo de ver rebentar no céu o espectáculo de pirotecnia e, à nossa frente, brindes inflamados de milhares de adultos, jovens e crianças que ali renovaram os seus votos para 2011.
Ao lado, agentes de uma das duas equipas de Intervenção Rápida destacadas repartiam entre si abraços de bom ano. "Temos de festejar, embora de forma discreta", confessa a chefe Maria de Sousa Goreti, sempre de rádio colado ao ouvido. "Já consegui enviar uma mensagem à minha companheira. O resto da família vai ter de esperar até eu regressar ao Fundão", diz o agente Miguel Bonifácio, 33 anos, antes de dois muçulmanos o desafiarem a tirar uma fotografia, para risota da equipa.
É hora de ronda pelas esquadras da zona - Zona J ou 14ª de Chelas - onde a mesa farta e um brinde de champanhe dão as boas-vindas. "2011 será bom se fizermos por isso. Mais vale ter um sonho do que morrer sem ter tido algum", diz a chefe Goreti, para entusiasmo geral.
Pelas 04h00, a PSP toma posição para o fecho dos bares do Parque das Nações, 40 minutos depois. E a calma volta à beira Tejo, com centenas de garrafas esquecidas no chão e os olhos cansados dos agentes. O descanso só chega ao raiar do sol, quando o turno acaba e o encanto da noite dá lugar à realidade de todos os dias.
FESTA EMBALADA PELO ÁLCOOL
Para o sucesso das festividades na noite de Fim de Ano, só marcada por um ferido ligeiro resultante de um atropelamento no Parque das Nações e alguns excessos provocados pela ingestão de álcool que foram motivando, durante toda a noite, alguns cumprimentos especiais por parte do sexo feminino aos agentes - algo que, dizem, faz parte da profissão - , foi fundamental o trabalho dos 40 efectivos da 2ª Divisão da PSP, duas equipas de Intervenção Rápida com 16 elementos, bem como o reforço da Unidade Especial da Polícia e dos restantes turnos, com dois carros a circular por esquadra e homens apeados.
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