O Ministério da Educação divulgou os resultados das escolas na 1.ª fase dos exames nacionais, sem, contudo, estabelecer um ‘ranking’, para evitar a polémica do ano passado.
O CM fez as contas às notas dos alunos internos e concluiu que as melhores escolas são: o Colégio S. João de Brito (Lisboa) e a Garcia de Orta (Porto). Nesta edição, o CM publica ainda, em destacável, a listagem completa
A melhor das melhores escolas secundárias foi um estabelecimento de ensino privado, localizado no Lumiar, em Lisboa. O colégio de S. João de Brito, da Ordem dos Jesuítas, “tem uma preocupação com a excelência, com o rigor e a qualidade procurando demonstrar aos alunos que a mediania não é aceitável”, disse ao CM, Jorge Manuel Sena, director do colégio. Perante os resultados obtidos, anualmente existem cerca de mil pedidos para inscrição, entrando apenas 130 alunos.
Com média final de 15 valores, o S. João de Brito foi a escola n.º 1 em Matemática. Segundo o professor desta disciplina, José Maria Antunes, o sucesso obtido resulta de “um método de trabalho em que se procura ensinar de uma forma consistente, explicando aos alunos que sem trabalho não se consegue chegar a lado nenhum”.
Cecília Mendonça, aluna do colégio que o ano passado terminou o 12.º ano com 18 valores, tendo ingressado como primeira opção em engenharia civil, no Instituto Superior Técnico com a média de 17,1 valores disse que “uma das vantagens do S. João de Brito é ter a possibilidade de a qualquer hora poder telefonar para os professores para esclarecer dúvidas na matéria”.
A média de 13,1 valeu à Garcia de Orta, no Porto, o primeiro lugar no ‘ranking’ das escolas públicas (ficou em 15.º a nível nacional). “Em termos de ‘ranking’, a nossa colocação podia ser ainda mais relevante", observa a presidente do Conselho Executivo. A Prof.ª Maria Gagliardini Graça faz questão de lembrar que as escolas particulares e privadas "trabalham" no 12.º ano, com uma elite seleccionada. "Nós acompanhamos alunos vindos de extractos sociais muito diversificados, ao longo de três anos, estimulando-os todos os dias a superar os desafios do processo de aprendizagem", sublinha.
Bibiana Barbieri Cardoso, 18 anos, foi uma das alunas que conseguiu ter acesso à Faculdade de Medicina do Porto, com uma média de 19,53 valores. "Os professores são muito competentes e empenham-se nu-ma profunda e eficaz explanação das matérias", salienta. Os alunos do 11.º ano estão também cientes das dificuldades e vantagens do paradigma de ensino perfilhado na escola há mais de uma década. Ambicionando a entrada num curso de Economia, Gustavo Costa, 16 anos, realça que "os professores são exigentes, faltam muito pouco às aulas e estão sempre disponíveis para nos acompanhar e encorajar".
Com uma média de exames do 12.º ano que não ultrapassa os 7,1 valores, a Escola EB 2/3 de Forjães, no concelho de Esposende, Braga, ficou colo-cada em último lugar no ‘ranking’ de aproveitamento das escolas secundárias públicas a nível nacional.
Porém, o presidente do Conselho Executivo deste estabelecimento de ensino, Manuel Ribeiro, garante que o problema não reside na qualidade de ensino ou nas infra--estruturas físicas "por sinal bastante razoáveis". Tudo se deve ao facto de este ano de apenas seis alunos terem efectuado exames de 12.º ano, alguns já repetentes e, na sua maioria, sem grandes aspirações ao ensino superior.
"Se eu tivesse cá alunos que fizessem planos para ir para o curso de Medicina, de certeza que nós teríamos médias altas. Porém, o patamar que os alunos querem alcançar é demasiado baixo, já que a maioria apenas quer terminar o 12.º ano e entrar logo no mercado de trabalho”, refere, sublinhando que “prova disso é o facto de apesar de as matrículas estarem abertas, este ano nem sequer há alunos suficientes para constituir turmas do 10.º, 11.º e 12.º anos”.
O Instituto Educativo do Ribatejo (IER), em Alto dos Fornos, Santarém, classificou-se como a pior escola particular a nível nacional, com sete valores. “Já estávamos à espera”, comentou o presidente do Conselho Executivo, Agostinho Ribeiro. “Será diferente quando os alunos que começaram o quinto ano connosco prestarem provas”, acrescentou.
O responsável diz que a explicação para o último lugar no ‘ranking’ é simples: no ensino secundário estavam matriculados apenas 12 alunos. Quase todos tinham deixado de estudar e voltaram ao ensino em Outubro de 2000, quando o IER foi fundado próximo da sua área de residência. Por isso, afirmou Agostinho Ribeiro, têm dificuldades de motivação e aprendizagem, “apesar do esforço enorme dos professores”.
O presidente do IER garante que a instituição, de ensino gratuito, com 500 alunos, tem “condições excelentes” e “um corpo docente bom e motivado”. – C.G.
AS MELHORES ESCOLAS DE ALGUNS DISTRITOS DO PAÍS
ÉVORA
Para o professor Manuel Seatra, do Conselho Executivo da Escola Secundária Gabriel Pereira, há uma série de factores que, de alguma forma, contribuem para o sucesso dos alunos nos exames de acesso à universidade, nomeadamente “o facto de ser apenas uma escola do 10.º ao 12.º ano, em que os alunos apresentam uma certa maturidade”. Importante é também a escola ter uma certa estabilidade no corpo docente e as boas condições físicas.
PORTALEGRE
Professores bem preparados e uma escola que oferece boas condições físicas são, na opinião da aluna Marta Reia, a frequentar o 12.º ano, factores que contribuem para a boa preparação daqueles que estudam na Escola Secundária de S. Lourenço. Eduardo Relvas, presidente do Conselho Executivo, realça o esforço para que professores e alunos se sintam bem nesta casa e a estabilidade no corpo docente, “o que permite que se façam trabalhos com maiores expectativas”.
SETÚBAL
“Ficamos contentes, mas não temos uma receita para explicar estes resultados. Tentamos com que as pessoas se sintam bem na escola.Temos um corpo empenhado em motivar os alunos e estes sentem-se bem na escola”, diz o professor Luís Filipe, do Conselho Executivo da Secundária Padre António Macedo, em Santiago do Cacém. “O nosso lema é ‘Pergunta, Procura e Partilha’. O processo de aprendizagem não se esgota na sala de aulas”, sublinha.
COIMBRA
Com 13 valores, a Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, é a melhor escola pública do seu distrito. Em 2002, o Ministério da Educação considerou-a a melhor do País. Tem 1600 alunos e 80 por cento dos professores no quadro. “A D. Maria é conhecida há muitos anos como uma escola exigente e de referência”, disse o presidente do Conselho Executivo, Fernando Azeiteiro. O professor diz que o mérito é dos alunos: “Querem trabalhar e têm expectativas”.
LEIRIA
A classificação alcançada pela Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, considerada da melhor do distrito de Leiria, “é fruto do trabalho e empenhamento do corpo docente”, afirma Natalino Santos, vice-presidente do Conselho Executivo. O professor considera que a elaboração de um ‘ranking’, tal como tem sido feita, é muito redutora. Como prioridade para o futuro, o responsável aponta a redução do número de turmas e reformulação do espaço físico.
MELHORES DE LISBOA E ALGARVE
Na Área Metropolitana de Lisboa a Escola Secundária Dona Leonor, em Alvalade, foi a melhor entre os estabelecimentos de ensino públicos. Para a presidente do Conselho Executivo, Maria Margarida Cunha as notas obtidas este ano pelos cerca de 200 alunos que realizaram os exames do 12.º ano não são uma excepção, porque a escola tem sempre ficado bem classificada. “Um corpo docente estável, um esforço realizado junto dos alunos a partir do 10.º ano, e um trabalho intenso fora do horário das aulas leva a que de um modo geral os alunos sejam muito interessados”, disse a professora. Para Bruno Anselmo que este ano frequenta o 12.º ano do grupo de Humanidades “a qualidade de ensino prestada pelo corpo docente da escola é o argumento mais forte para o sucesso dos alunos”.
ALGARVE
A Escola Gil Eanes, de Lagos, obteve a melhor posição entre os estabelecimentos algarvios. De acordo com a presidente do Conselho Directivo, Maria João, uma das explicações para os bons resultados obtidos prende-se com “o facto desta ser uma escola relativamente pequena, em que se conhece os alunos pelo nome”. Esta responsável salienta que, “para além da preocupação em dar aos estudantes a melhor formação académica, existe igualmente uma grande aposta na sua correcta formação enquanto pessoas”. Bárbara Marques, finalista do 12.º ano, salienta que “as condições em termos de instalações não são as melhores, mas isso é compensado pelos bons professores, que nos preparam convenientemente para os exames”. Segundo ela, a escola oferece “um ambiente familiar”.
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