Assaltos a residências de idosos renderam mais de 600 mil euros.
A fase de instrução do caso "Teia Dourada", relacionado com dezenas de assaltos violentos realizados em 2022, principalmente a residências de idosos, que renderam mais de 600 mil euros, começou esta sexta-feira de manhã no Tribunal de Aveiro.
A abertura da instrução, que é uma fase processual facultativa, foi requerida por dois dos 16 arguidos.
Nesta fase, um juiz de instrução irá avaliar se há indícios suficientes para levar todos os arguidos a julgamento e quais os crimes porque serão pronunciados.
A operação "Teia Dourada" resultou de um inquérito desenvolvido pela esquadra de investigação criminal da PSP de Aveiro que culminou em julho de 2022 com a detenção de sete pessoas.
Durante a operação foram realizadas dezenas de buscas a residências, estabelecimentos comerciais e veículos em vários concelhos dos distritos de Aveiro, Coimbra e Porto, tendo sido apreendidas 28 armas (12 das quais armas de fogo), centenas de cartuchos e munições, sete veículos automóveis e cerca de 300 gramas de droga (haxixe e liamba).
Foram ainda apreendidas centenas de objetos furtados, nomeadamente peças em ouro, dezenas de ferramentas elétricas e outras de construção civil, diversa maquinaria de apoio à agricultura, material de construção civil, eletrodomésticos de grande e pequeno porte, dispositivos eletrónicos e bens alimentares, entre outros, além de cerca de 200 mil euros em dinheiro.
A acusação do Ministério Público (MP), consultada pela Lusa, imputa aos arguidos dezenas de crimes de roubo, furto na forma consumado e tentada, resistência e coação sobre funcionário, condução sem habilitação legal, detenção de arma proibida, introdução em lugar vedado ao público, dano e recetação.
Os investigadores falam numa "teia criminosa" que os arguidos foram "tecendo" ao longo do tempo que durou a atividade criminosa. Em menos de meio ano, os arguidos realizaram 36 assaltos a residências, estabelecimentos comerciais, instalações de empresas, estaleiros de obras e outros espaços, em vários municípios dos distritos de Aveiro e Coimbra.
Os alvos eram na sua maioria pessoas idosas, que pela fragilidade física inerente à própria idade, bem como pela circunstância de residirem sozinhas, seriam, logo à partida, seguramente incapazes de lhes oferecer resistência.
De acordo com a investigação, os arguidos estudavam as características e as rotinas dos utilizadores dos espaços que pretendiam assaltar, estroncavam portas e janelas para entrar nas habitações e surpreendiam os moradores a dormir nos seus quartos, ameaçando-os de morte se não indicassem os locais onde se encontravam os objetos valiosos.
Os roubos e furtos eram realizados por um grupo de seis indivíduos, dos quais cinco se encontram em prisão preventiva.
Os restantes arguidos estão acusados de recetação, incluindo um empresário que explorava uma ourivesaria e que comprava os objetos em ouro e de joalharia que os arguidos roubavam, sem qualquer registo ou documentação.
Entre os arguidos está um outro empresário que, além de adquirir frequentemente os bens roubados, também está acusado como coautor moral de três dos roubos.
O MP requereu que seja declarado o perdimento a favor do Estado de 615 mil euros, correspondente ao valor mínimo global dos bens e valores subtraídos pelos arguidos.
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