Familiares inconformados com a decisão provocaram distúrbios que obrigaram a intervenção da polícia.
1 / 7
O tribunal condenou esta sexta-feira a 12 anos de prisão o jovem acusado de matar outro a tiro em março de 2017, junto à discoteca Luanda, em Lisboa, após uma discussão ocorrida anteriormente no interior do estabelecimento de diversão noturna.
Na leitura do acórdão, o Tribunal Central Criminal de Lisboa deu como provado, no essencial, a acusação do Ministério Público, mas condenou o arguido apenas por um homicídio simples -- com uma moldura penal mais leve - e não por homicídio qualificado, pelo qual estava acusado.
A presidente do coletivo de juízes, Ana Peres, sustentou que foi Gerson Varela o autor dos disparos que provocaram a morte de Hugo Carrilho, acrescentando, nomeadamente, que na posse do arguido foram encontradas munições do mesmo calibre das que causaram a morte da vítima.
Após leitura do acórdão, viveram-se momentos de tensão no interior da sala de audiência, pois os familiares e amigos do jovem morto, à data com 23 anos, revoltaram-se com a pena aplicada ao arguido. Houve gritos, insultos e uma das pessoas presentes arremessou uma garrafa de água na direção do arguido, o que levou à intervenção dos vários polícias presentes na sala.
Durante a retirada das pessoas da sala de audiências pela polícia, a mãe da vítima ficou magoada na perna e houve a necessidade de se chamar uma ambulância ao Campus da Justiça, que a transportou para o Hospital de São José, em Lisboa.
O tribunal justificou a alteração da qualificação jurídica do crime, passando-o de homicídio qualificado (punível de 12 a 25 anos de prisão) para homicídio simples (punível de oito a 16 anos de prisão), com as circunstâncias em que o crime ocorreu, num clima de conflito mútuo, fruto das rivalidades existentes entre os bairros da Quinta do Mocho e da Quinta da Fonte, no concelho de Loures.
A presidente do coletivo de juízes destacou que a maior parte da prova foi obtida de forma indireta, dando como exemplo os depoimentos dos inspetores da Polícia Judiciária, das testemunhas ou o facto de o arguido ter na sua posse munições do mesmo calibre das que mataram a vítima.
O arguido Gerson Varela, atualmente com 24 anos, tem antecedentes criminais porque já havia sido condenado em dois processos diferentes: um a pena suspensa num caso de agressões e o outro a uma multa por condução sem carta.
À saída do Campus da Justiça, o advogado da companheira do jovem morto, que se constituiu assistente no processo, afirmou que vai recorrer da decisão para o Tribunal da Relação de Lisboa.
"A pena é insuficiente, atenta a gravidade. Devia ter sido condenado a uma pena superior e vamos recorrer", disse Amândio Madaleno aos jornalistas, enquanto os familiares da vítima, Hugo Carrilho, abandonavam o tribunal em lágrimas.
O despacho de acusação do Ministério Público (MP), a que a agência Lusa teve acesso, conta que na madrugada de 18 de março, já no interior da discoteca, Hugo Carrilho deparou-se com Gerson Varela, "que residia no bairro da Quinta do Mocho, e com quem já tinha tido desentendimentos anteriores, sendo que existe uma forte rivalidade entre os habitantes do bairro da Quinta da Fonte (onde residia o arguido) e do bairro da Quinta do Mocho, ambos situados no concelho de Loures.
A vítima tinha-se deslocado na companhia de dois amigos para a discoteca, na zona de Alcântara, onde iria decorrer uma festa, com a presença de vários DJ.
Arguido e vítima "entraram em discussão por razões não concretamente apuradas", mas os ânimos foram serenados por seguranças.
O MP sustenta que Gerson Varela saiu depois da discoteca e "muniu-se de uma arma de fogo, provavelmente, um revólver de calibre .22, a fim de abordar Hugo Carrilho, quando este saísse da discoteca, o que viria a acontecer".
"O arguido Gerson Lopes Varela seguia à frente no grupo e após cruzar-se com Ibraima Dajló, ainda sem que os seus acompanhantes se tivessem cruzado com este último, disparou pelo menos cinco vezes em direção a Hugo Carrilho, utilizando para tal o revólver de calibre .22, carregado", relata o MP.
Logo de seguida, acrescenta a acusação, "foram disparados tiros" com uma arma de fogo de calibre 6.35 milímetros "que atingiram o arguido" e Adquel Cruz, tendo ambos recebido tratamento hospitalar.
Perante os ferimentos, dois amigos da vítima transportaram-na para o hospital, mas no percurso avistaram uma ambulância, tendo parado a viatura em frente à mesma, que levou depois a vítima para o Hospital de São Francisco Xavier, onde acabaria por morrer.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.