Numa fracção de segundo Susana Ramires perdeu quase tudo. Conseguiu ao menos salvar a vida, escapando à violenta colisão do carro – um Mitsubishi Carisma comprado oito dias antes – contra um eucalipto podre que se encontrava caído na Estrada Nacional 2, entre Almodôvar e Castro Verde.
“O automóvel foi para a sucata. Devido aos ferimentos nas vértebras e na coluna fiquei impossibilitada de trabalhar. O colar cervical só o vou tirar no final do mês e ainda não sei se vou ser operada”, referiu a vítima, enquanto se queixava das dores num sofá de sua casa, situada no bairro dos Bombeiros, em Castro Verde.
Esta mulher de trinta anos responsabiliza a Estradas de Portugal pelo acidente, ocorrido numa noite fria do passado mês de Janeiro. Caso não seja indemnizada pelos estragos causados no carro e pelos prejuízos sofridos pelos dias em que estiver de baixa médica, Susana ameaça com uma queixa em tribunal.
“Se as pessoas que lá estão trocassem os gabinetes pelo trabalho de campo e fossem verificar o estado das árvores junto às estradas, isto não me tinha acontecido. A Estradas de Portugal é responsável pelo que aconteceu e espero que pague todos os prejuízos dentro de pouco tempo, porque no mês passado recebi apenas 250 euros do trabalho e tenho todos os meses cerca de 500 euros a pagar dos empréstimos da casa e do carro. Além disso, não sei se ficarei boa das lesões provocadas pelo acidente.”
Susana Ramires, que terminou há um ano o casamento do qual resultou um filho, fazia até ao passado dia 15 de Janeiro uma vida normal. Trabalhava num conhecido restaurante em Almodôvar e depois do serviço, pelas 22h30, regressava sozinha a casa quando se deu o acidente, perto do cruzamento das minas de Neves Corvo. “O eucalipto deve ter caído à minha frente, deixei de ver e despistei-me. Acordei mais tarde a sufocar pelo fumo do motor”, lembrou a vítima, que foi assistida no Centro de Saúde de Castro Verde e, mais tarde, no Hospital de Beja.
O Mitsubishi Carisma a diesel, comprado em segunda mão, ficou totalmente destruído.
“Fiz um esforço enorme para comprar o carro, que custou dez mil euros, para poder fazer todos os dias a viagem entre a minha casa e o trabalho. Agora está inutilizado e com estragos acima do preço que paguei por ele”, frisou.
Contactada pelo CM, fonte das Estradas de Portugal referiu que este “é um caso recente”, que ainda está a ser analisado pelos serviços técnicos da instituição. Na sexta-feira foram iniciadas as peritagens à viatura, que se encontra numa oficina em Beja.
Susana Ramires, de 30 anos, está separada marido, de quem tem um filho, com sete anos. Residente em Castro Verde, à data do acidente trabalhava como empregada de mesa num restaurante em Almodôvar, a 20 quilómetros de casa. Vive com o filho e com a mãe .
RAMOS MATARAM AVÓ E NETO
Em Portugal têm ocorrido nos últimos anos acidentes graves devido à queda de árvores. Em Agosto de 2006 a queda de três ramos, de cerca de trinta metros cada, atingiu uma família que aproveitava a sombra de um eucalipto, na rampa da Pena, em Sintra, para fazer um piquenique. Uma mulher de 54 anos e o neto, de apenas seis meses, morreram. Outras seis pessoas desta família de Amarante, quatro adultos e duas crianças, foram assistidas a ferimentos nos hospitais Amadora-Sintra e São Francisco Xavier, em Lisboa. No mesmo mês uma árvore caiu em cima de um carro na EN9, entre Alenquer e Torres Vedras, e outra em Sintra, causando apenas danos materiais.
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