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Confrontos entre polícias em frente à Assembleia

Manifestantes chegaram a ocupar metade da escadaria de acesso à Assembleia da República. Registaram-se dez feridos, dois dos quais tiveram que ser levados para o hospital. Outras duas pessoas foram detidas para serem identificadas. (Atualizada às 23h22)

06 de março de 2014 às 22:24

Milhares de profissionais das forças e serviços de segurança voltaram esta quinta-feira a manifestar-se contra os cortes salariais e congelamento das carreiras.

No final da manifestação, o porta-voz do comando metropolitano de Lisboa, comissário Rui Costa, confirmou aos jornalistas que nos confrontos houve dez feridos e duas pessoas foram identificadas por desacatos.

Rui Costa adiantou ainda que todos os feridos, seis polícias e quatro manifestantes, foram assistidos pelo INEM no local. Dois dos manifestantes feridos tiveram posteriormente de ser transportados para o hospital, mas com ferimentos ligeiros.

Os manifestantes concentraram-se a partir das 18h00 junto ao Marquês de Pombal, em Lisboa, para protestarem contra os cortes nos vencimentos, numa manifestação que contou com uma grande adesão de militares da GNR. No início da manifestação rebentaram vários petardos.

O cortejo de protesto, que se realizou entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República, foi promovido pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, estrutura que congrega os sindicatos mais representativos da GNR, PSP, ASAE, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima.

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A ministra da Justiça apelou esta quinta-feira às forças e serviços de segurança, que se manifestam junto ao parlamento, para que tenham "presente o momento que o país atravessa", observando que Portugal está "quase a sair de um programa de ajustamento". Paula Teixeira da Cruz salientou que todos devem "participar no esforço nacional", explicando "que é duro para todos nós, mas juntos sairemos mais rapidamente (da situação) e conseguiremos também mais rapidamente recuperar uma parte daquilo que nos foi tirado".

No espaço de três meses esta é a segunda manifestação dos elementos das forças e serviços de segurança, tendo a primeira, a 21 de novembro de 2013, terminado com a invasão da escadaria da Assembleia da República e com a consequente demissão do diretor nacional da PSP.

Para evitar que aconteça uma situação semelhante à de 21 de novembro, mais de 100 elementos do Corpo de Intervenção (CI) da PSP do Porto e de Faro vão reforçar o policiamento da manifestação das forças de segurança, junto à Assembleia da República, em Lisboa. Fonte policial adiantou que estes elementos vão juntar-se ao CI de Lisboa, cujo efetivo foi todo mobilizado para fazerem a segurança do protesto, à exceção dos que pertencem aos sindicatos da PSP.

Quanto ao modo de atuação definido pela PSP, a mesma fonte garantiu que "não há ordens para haver bastonada", mas apenas dar mais visibilidade à presença policial do CI junto ao parlamento para evitar que os manifestantes voltem a subir a escadaria da Assembleia da República.

"OS POLÍCIAS JÁ NÃO AGUENTAM MAIS ESTA POLÍTICA"

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SINDICATOS DAS FORÇAS DE SEGURANÇA REÚNEM COM ASSUNÇÃO ESTEVES

A Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, vai receber hoje uma comitiva da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, segundo fonte do gabinete de Assunção Esteves.

O grupo de representantes das forças de segurança deverá ser encabeçado pelo secretário nacional, Paulo Rodrigues, e tem audiência prevista com a segunda magistrada da nação após a chegada da manifestação a São Bento.

MANIFESTAÇÃO EM FRENTE À ASSEMBLEIA. CORPO DE INTERVENÇÃO BLOQUEIA ACESSO À ESCADARIA (20h30)

O cortejo chegou ao parlamento pouco minutos depois das 20h00.

Um contigente policial superior ao normal em circunstâncias anteriores, disposto num perímetro em torno da escadaria da Assembleia da República, esperou hoje a manifestação das forças de segurança, em protesto contra os cortes salariais.

O subintendente da Polícia de Segurança Pública, Paulo Flor, não revelou o número de efetivos - entre elementos do Secção de Intervenção Rápida (SIR) e Corpo de Intervenção (CI) - destacados para a Assembleia da República. Todavia, Paulo Flor afirmou que o perímetro de segurança não foi alargado, estando os agentes em serviço dispostos ao longo do jardim que ladeia a escadaria do parlamento, reforçado com duas filas de polícias do SIR, antes dos dos elementos do CI.

ESTE PROTESTO MARCOU UM RECORDE DE PARTICIPAÇÃO DAS FORÇAS DE SEGURANÇA

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Por volta das 20h20 os manifestantes entoaram o hino nacional, antes de tentarem subir as escadarias. Os ânimos exaltaram-se após os manifestantes derrubarem as grades de protecção. Vários elementos do CI desceram a escadaria para reforçar a linha de delimitação da manifestação. Apesar de terem subido alguns degraus os manifestantes foram travados pelo cordão de segurança.

Pouco antes das 21h00 houve um ultimato das forças policiais que protegem a Assembleia da República, ordenando os manifestantes a descerem as escadarias do Parlamento. Por essa altura, as forças de segurança que protestavam já ocupavam quase metade da escadaria. Após as 21h00, o reforço policial do corpo de intervenção consegue empurrar manifestantes para a base das escadarias e pede intervenção dos sindicatos para apele aos manifestantes para recuar. Os polícias que se manifestavam em frente ao Parlamento recuaram até à base da escadaria, depois de elementos dos sindicatos terem sido chamados pela coordenação da segurança para demoverem os manifestantes.

A reunião entre os seis elementos da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança e a Presidente da Assembleia da República durou cerca de 25 minutos e terminou por volta das 21h10. A presidente da Assembleia da República acompanhou os representantes das forças de segurança, encabeçados pelo secretário nacional da CCP, Paulo Rodrigues, até à porta lateral do parlamento.

A organização da manifestação dos profissionais de segurança deu por encerrado o protesto, cerca de duas horas depois de terem chegado à Assembleia da República, mas os manifestantes não desmobilizaram. "Esta organização dá por terminada a manifestação", disse um dos elementos dos sindicatos da polícia às 21h40, declaração que foi seguida por fortes assobios por parte dos manifestantes.

Depois das 22h00 os manifestantes foram desmobilizando do local.

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