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Correio da Manhã

Portugal
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Corpo de paraquedista regressa a Portugal "sem ajuda do Estado”

Filha travou “a batalha de uma vida” ao trasladar o corpo de António Silva 54 anos depois.
Luís Oliveira 7 de Dezembro de 2017 às 01:30
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
António Silva tinha 21 anos. Morreu em Angola
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
António Silva tinha 21 anos. Morreu em Angola
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
António Silva tinha 21 anos. Morreu em Angola
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Funeral do paraquedista, ontem, em Lobão da Beira, Tondela
Os restos mortais de um paraquedista que morreu em combate na Guerra Colonial, em Angola, em 1963, chegaram esta quarta-feira à sua terra natal em Lobão da Beira, Tondela. A filha travou "a batalha de uma vida" ao conseguir trasladar o corpo de António Silva para Portugal, 54 anos depois de ter morrido e sem qualquer ajuda do Estado português.

"Consegui ganhar esta batalha depois de muitos anos de luta e sem qualquer apoio do Estado português", disse ontem ao CM Ernestina Silva, minutos depois dos restos mortais do pai descerem à terra no cemitério de Lobão da Beira. "Foi um processo que deu muito trabalho, mas valeu a pena. Finalmente o meu pai regressou ao ponto de partida", adiantou.

A filha do combatente, emigrada nos EUA, contou com a ajuda de portugueses que trabalham em Angola e da União Portuguesa de Paraquedistas. Sobretudo de Isidro Moreira Esteves, sargento paraquedista na reserva, "companheiro de luta" de António Silva.

O paraquedista foi abatido a tiro em Úcua, na província de Bengo, em Angola. Depois, e tal como muitas centenas de homens tombados em combate, ficou sepultado na zona onde morreu porque a família na altura não tinha dinheiro para pagar a trasladação.

O corpo do combatente chegou na terça-feira a Portugal e foi levado para a capela da Força Aérea, em Lisboa. Ontem passou pela base de Tancos e chegou a Lobão da Beira às 16h30, onde foi recebido por dezenas de paraquedistas.

À entrada para o cemitério foi cantado o hino e depois disparadas rajadas de tiros. 

Camaradas emocionados mas muito críticos
Cada vez que o corpo de um combatente morto no Ultramar chega a Portugal, o momento é vivido com grande intensidade, não só pelos familiares, mas também pelos camaradas que também combateram em África.

"Estou muito contente, mas ao mesmo tempo revoltado porque há 50 anos a pátria não teve dez contos para ajudar as famílias", disse Idílio Amaral, da Liga dos Combatentes.

"Não podemos deixar ninguém para trás"
"Ninguém fica para trás", é o lema do paraquedista e ontem foi gritado no cemitério de Lobão da Beira. A cerimónia foi participada por dezenas de militares no ativo e na reserva, oriundos de várias zonas do país.

"Estes momentos mexem com todos nós. Não podemos deixar ninguém para trás", disse Francisco Meneses, de Albufeira. 

SAIBA MAIS 
8 831
militares portugueses morreram, de 1961 a 1974, no Ultramar: 3455 em Angola; 2240 na Guiné; e 3136 em Moçambique. Metade em combate e os restantes por acidentes ou doenças. 70% eram da metrópole.

Massacre de 1961
A guerra teve início em Angola, com a sublevação, no noroeste, da União das Populações de Angola. A 15 de março de 1961 massacraram a população branca e seus empregados.

De todos os postos
Segundo militares, morreram 1 general, 2 brigadeiros, 3 coronéis, 15 tenentes-coronéis, 22 majores, 100 capitães, 40 tenentes, 300 alferes, 900 sargentos e furriéis, 1600 cabos e 5500 soldados e marinheiros.
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