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Corpo dentro de mala

A PJ estava ontem a tentar identificar o cadáver de um homem – branco e aparentando 50 anos – encontrado ao princípio da manhã, dentro de uma mala de viagem, na praia de S. Sebastião, na Ericeira, Mafra.

08 de outubro de 2007 às 00:00

Alfredo ‘da Coelha’, morador no Bairro dos Pescadores, tem por habito passear pela praia com o seu cão ao nascer do dia. Ontem, o amigo de quatro patas fez uma descoberta macabra – sobre as rochas, na base de uma escarpa com seis metros de altura, encontrava-se uma mala de viagem entreaberta, da qual saía a cabeça e as mãos de um cadáver. A mala azul-escura ainda se encontrava dentro de um saco de plástico preto. O conjunto estava atado com um cabo de antena de televisão.

Ao que tudo indica, a mala terá sido atirada do cimo da escarpa, no Largo de S. Sebastião, e com o impacto da queda ter-se-á aberto, revelando o corpo.

O CM conseguiu apurar que o cadáver não apresentava ferimentos de armas brancas, nem de armas de fogo. Exibia alguns sinais de agressões e escoriações na face, as quais podem ter sido provocadas após a morte, em consequência da queda da mala. A vítima é um homem aparentando perto de 50 anos, caucasiano, de aspecto europeu. Não possuía qualquer identificação.

Eram 07h40 quando os Bombeiros Voluntários da Ericeira tomaram conhecimento do incidente, deslocando-se de imediato ao local. Na praia estiveram igualmente elementos da Polícia Marítima, da GNR e da Polícia Judiciária.

Foi uma médica que estava de serviço nos Voluntários da Ericeira que confirmou o óbito, mas o corpo só foi libertado pelas 12h00, após os inspectores da Polícia Judiciária terem realizado os trabalhos de peritagem. Foi então transportado para o Instituto de Medicina Legal, em Lisboa, para ser submetido a autópsia.

Não está ainda esclarecido se o homem foi assassinado, mas as suspeitas apontam nesse sentido. Os indivíduos que abandonaram a mala na praia de S. Sebastião, a serem encontrados, serão ainda acusados de ocultação de cadáver.

CRIME FOI COMETIDO NOUTRO LOCAL

“Quem fez isto é pessoa que não conhece aqui o mar. A mala nunca podia ser arrastada porque a água nunca chega àquele sítio, nem na maré cheia”, disse ao CM Elisiar Pereira, um pescador da Ericeira com 65 anos.

A voz popular é compatível com a teoria das autoridades, de que o homem encontrado na praia de S. Sebastião terá sido morto num outro local nas imediações da Ericeira. Antes de a Polícia Marítima vedar o acesso à praia, Américo Carmona, morador no Bairro dos Pescadores, esteve junto da mala. “Só vi que era um homem, que estava com a cara para baixo, em cima da rocha. Via-se que o corpo estava dobrado dentro da mala”, disse ao CM. Tal como estes dois moradores, dezenas de pessoas estiveram junto à praia, algumas dos quais até com binóculos.

DE VILA PACATA A LOCAL DE CRIME

Logo pela manhã, alguns populares avançavam com a hipótese de o homem ter sido morto num acto de vingança do ataque à facada da madrugada de sábado, junto à praia de S. Sebastião, em que um jovem morreu e outros três ficaram feridos. No entanto, rapidamente se veio a verificar que esta teoria não tinha fundamento.

Entretanto, o CM apurou que os incidentes que levaram à morte por esfaqueamento de uma rapaz de 22 anos, conforme noticiámos ontem, se prendem com razões que vão além do simples roubo de um telemóvel. De facto, tudo aponta para uma disputa entre um grupo de habitantes da Ericeira e outro de brasileiros.

O número de imigrantes brasileiros tem vindo a aumentar na Ericeira e alguns moradores acusam muitos deles de se dedicarem à prostituição, ao tráfico de drogas e aos roubos. Por outro lado, também alguns jovens da Ericeira se vêm dedicando à prática de pequenos roubos.

A situação está a criar um clima de tensão, em que o culminar foi a ‘batalha campal’ que a localidade viveu na madrugada de sábado. Alguns populares com que o CM contactou no local acusaram a GNR de adoptar uma posição de passividade perante esta situação.

FORA DA MALA

Com o impacto da queda, da falésia com seis metros, tanto o saco de plástico preto como a mala abriram, revelando a cabeça e as mãos do cadáver.

CURIOSOS

No final da operação de resgate do corpo, a população cercou a viatura da Polícia Marítima onde foi colocada a mala de viagem.

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