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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Cuidador que deixou morrer idoso e escondeu corpo condenado a mais de 16 anos de prisão

Arguido, um argelino de 40 anos, foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado por omissão e profanação de cadáver.

18 de junho de 2026 às 17:07

O Tribunal de Braga condenou esta quinta-feira a 16 anos e três meses de prisão um cuidador geriátrico por deixar morrer, sem pedir auxílio, um idoso que tinha acolhido na sua casa, em Esposende, e enterrar o corpo num pinhal.

O arguido, um argelino de 40 anos, foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado por omissão e profanação de cadáver.

O tribunal aplicou-lhe ainda a sanção acessória de expulsão do país, após cumprimento da pena de prisão, não podendo voltar a Portugal por um período de cinco anos.

A mulher do arguido também está acusada dos mesmos crimes, mas, entretanto, fugiu para o Brasil, encontrando-se em paradeiro desconhecido.

Segundo o tribunal, o casal terá ainda obrigado a filha de 13 anos a colaborar na ocultação do corpo.

O caso remonta a dezembro de 2024, numa altura em que a vítima, de 85 anos, se encontrava a habitar na residência do casal arguido, na Apúlia, na modalidade de família de acolhimento.

No dia 09 desse mês, o casal terá ministrado ao idoso medicação sedativa que habitualmente não tomava, deixando-o sem reação, prostrado, sem forças para se alimentar e com dificuldades respiratórias.

O casal não chamou o INEM ou os bombeiros, deixando o idoso "à espera de um socorro que não chegou".

A morte ocorreu no dia seguinte, mas o casal optou por enterrar o corpo no pinhal de Ofir, Esposende, contando para o efeito com a colaboração da filha da mulher, com 13 anos.

O corpo foi metido numa caixa e transportado na mala do carro do casal até a um pinhal, onde foi escondido.

A menor foi comprar uma pá e soda cáustica.

Entretanto, o casal alertou as autoridades para o "desaparecimento" do idoso, dizendo que ele se tinha ausentado voluntariamente de casa e se encontrava em parte incerta.

A investigação da Polícia Judiciária (P) culminou com a detenção do suspeito, em finais de janeiro de 2025, e com a localização do cadáver.

Em julgamento, o arguido apenas assumiu que ajudou a esconder o corpo, atribuindo à mulher a autoria do homicídio.

Uma versão que esta quita-feira reiterou no final da leitura do acórdão, quando afirmou: "não tenho nada a ver com isto".

O arguido foi ainda condenado a pagar cerca de 97.500 euros de indemnização aos familiares da vítima.

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