O cardeal português D. José Saraiva Martins, que é membro da Comissão para o Governo do Estado do Vaticano, confirmou, em declarações exclusivas ao Correio da Manhã, que os casos de corrupção mencionados nas cartas enviadas ao Papa pelo arcebispo Carlo Maria Viganò e que foram tornadas públicas "são verdadeiros". <br/><br/>
Em causa estão contratos para obras no Vaticano, envolvendo bancários e figuras da Igreja e que terão lesado o Estado do Vaticano em quase oito milhões de euros.
"O monsenhor Viganò fez um trabalho extraordinário. Descobriu muita coisa, muitos casos de corrupção, que corrigiu e passou para a Justiça, que se encarregará de julgar os seus autores", diz D. Saraiva Martins, sublinhando que "no Vaticano trabalham homens religiosos e leigos, que, como é próprio da natureza humana, cometem os seus erros. No entanto, as coisas são claras e os erros têm de ser corrigidos".
As cartas que D. Carlo Viganò escreveu a Bento XVI, e que eram documentos secretos, acabaram por ser divulgadas no início deste mês, o que levantou a suspeita de que, ao ser nomeado Núncio nos EUA, em Outubro de 2011, o arcebispo teria sido ‘corrido' do Governo do Vaticano por ter colocado o dedo na ferida da corrupção. D. Saraiva Martins, que é cardeal-bispo e o mais antigo membro do Governaturato, considera que essa interpretação "não faz qualquer sentido". "Os casos de corrupção existiram, monsenhor Viganò cumpriu o seu dever ao comunicá-los ao Papa e estou certo de que vai, em breve, regressar a Roma e será feito cardeal", assegura o cardeal português. Até agora, oficialmente, a Santa Sé, sem desmentir o conteúdo das cartas divulgadas, tem realçado a "falta de ética" na divulgação de documentos sigilosos e, no comunicado do passado dia 5 de Fevereiro, o substituto de Carlo Viganò, D. Giuseppe Bertello, veio a público dizer que "estas alegações (de corrupção) são fruto de julgamentos errados ou baseados em receios sem fundamento".
PAPA SAUDOU PORTUGUESES
As duas centenas de portugueses que ontem assistiram à oração do Angelus, na Praça de S. Pedro, rejubilaram com a saudação que Bento XVI lhes dirigiu em Língua Portuguesa. O Papa pediu aos familiares e amigos dos cardeais lusófonos (o português D. Monteiro de Castro e o brasileiro D. João Braz de Aviz) que os acompanhem "em oração e estima", de modo a que possam "corresponder, com plena e constante fidelidade, ao dom recebido". Mais de uma centena de portugueses presentes são da freguesia de Santa Eufémia de Prazins, Guimarães, terra natal de D. Monteiro de Castro. "É um momento especial e nós, que devemos muito ao senhor D. Manuel, não podíamos faltar", disse ao CM Carlos Xavier, um dos 16 escuteiros da freguesia que participaram no Consistório.
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