Otília Martins diz "nunca ter sido notificada" pelo tribunal.
Otília Nazaré Martins, de 66 anos, residente em Orgens, Viseu, não vive dias fáceis. No início da semana passada recebeu a notícia de que tem 30 dias para deixar a casa que ocupa há 47 anos por ordem do tribunal, num processo judicial de que diz "nunca ter sido notificada". Está desesperada porque não tem "para onde ir viver" no fim do mês.
Os problemas começaram a ganhar forma em 2006, quando se começou a desentender com o senhorio quanto ao valor da renda e às obras a realizar na habitação, de construção antiga.Otília foi fazendo as obras por sua "conta e risco" sem documentos dos alugueres e pagamento da renda. "Temendo o pior, passei a pagar-lhe a renda, de 45 euros, por transferência bancária. É a única prova que tenho em como vivo nesta casa", diz Otília Martins, que na segunda-feira recebeu a notícia "mais temível". "Veio cá uma técnica da Segurança Social dizer que fui despejada por ordem do tribunal. Só não me colocaram logo na rua porque tiveram pena", diz a sexagenária que, garante, "nunca" foi notificada de qualquer processo judicial. "Fui julgada sem saber e sem me poder defender", lamenta. Agora, não tem para onde ir viver. Os três filhos não têm condições de a receber em casa, resta-lhe a ajuda da Câmara de Viseu, que lhe arranjou "uma solução problemática": "Arranjaram-me uma casa no bairro da Paradinha, o bairro social onde mora um dos meus filhos. A casa fica ao lado de onde mora uma mulher que já me espancou", diz.
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