O salto no escuro foi de mais de 50 metros. O veículo que, perto das 04h30, circulava na Estrada Nacional 247, no sentido Torres Vedras-Ericeira, despistou-se à saída de uma curva junto à praia de Ribeira D’Ilhas, galgou um muro, precipitou-se numa ravina e só parou numa estreita língua de areia entre as rochas e o mar.
Lá dentro, mantendo uma serenidade impressionante, apesar da fractura no fémur esquerdo, a condutora e única ocupante de uma carrinha Toyota Hiace, Ana Margarida Duarte, uma jovem de 19 anos, ligou para o namorado, que mora relativamente perto, a contar o sucedido e depois pediu socorro para o 112.
O namorado seguiu de imediato para o local, acompanhado da mãe, de 50 anos, e enquanto não chegavam os bombeiros tentaram, desesperadamente, socorrer a jovem. Esforço inglório, pois Ana Duarte estava encarcerada. E a mãe do namorado acabou por se lesionar num pé ao escorregar nas rochas e teve de ser transportada para o Hospital de Torres Vedras.
A situação com que os Bombeiros da Ericeira se depararam não foi fácil de resolver e o resgate só foi possível cerca das 06h40.
Ana Duarte foi então socorrida por uma equipa do INEM e transportada num helicóptero da Força Aérea para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde deu entrada pelas 08h45.
“Foi um grande susto e ainda agora não tenho palavras para descrever tudo o que senti quando soube da notícia e depois quando fui ao local. Felizmente a minha filha teve um enorme sangue frio. Foi ela mesmo que pediu socorro e apesar das dificuldades do resgate aguentou-se muito bem. E continua tão tranquila que vamos descansados para casa”, disse ontem ao CM Manuel Duarte, no final da visita no Hospital de Santa Maria, onde Ana Duarte aguardava para ser operada à perna esquerda.
RESGATE DIFICULTADO PELO MAR
A operação de resgate de Ana Margarida Duarte do interior da carrinha foi bastante complicada pelo estado do mar, com as ondas ora a puxar ora a empurrar a Toyota Hiace. E houve momentos, antes de terem sido colocados todos os cabos necessários para imobilizar o veículo, que chegou a temer-se que pudesse ser arrastada pelas ondas.
“A localização da carrinha e o estado do mar dificultaram bastante a nossa acção. Houve mesmo alturas em que as ondas cobriram a viatura por completo tornando bem difícil a sua imobilização. Só quando fixámos todos os cabos necessários é que foi possível iniciar a operação de desencarceramento e retirar a jovem”, disse ao CM fonte dos Bombeiros Voluntários da Ericeira que sublinhou “a serenidade com que a vítima esperou o momento para deixar o veículo”.
Desde as 04h43, quando foi dado o alerta e avançaram quatro elementos e uma viatura, até às 09h35, altura em que encerraram os trabalhos, estiveram no local 19 elementos dos Bombeiros Voluntários da Ericeira apoiados por sete viaturas.
Ainda há uma semana uma equipa de resgate de 12 elementos que efectua treinos mensais tinha realizado um simulacro de um acidente idêntico ao sucedido ontem.
Na origem da queda do veículo terá estado um despiste para o qual Manuel Duarte, dono do veículo e pai da jovem, não encontra explicação: “A carrinha saiu da estrada quase no cimo de uma rampa bastante inclinada e a velocidade não podia ser muita.” “Deve ter acontecido uma avaria qualquer”, acrescentou.
A carrinha Toyota Hiace conduzida por Ana Margarida Duarte despistou-se à saída de uma curva na EN247, sentido Torres Vedras-Ericeira. Galgou um muro e precipitou-se de uma altura de 50 metros, quase na vertical, na praia de Ribeira D’Ilhas. As ondas, que terão amortecido a queda e salvaram a vida da jovem, dificultaram depois, e muito, as operações de resgate.
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