Visto turístico e pretexto de falsos torneios de artes marciais levam à entrada de homicidas e assaltantes. Unidade Especial do DIAP acusa 26 elementos da ‘máfia brasileira’.
A Portugal acorreram nos últimos anos milhares de cidadãos brasileiros, da zona de Brasília, sendo que vários possuem antecedentes no Brasil por crimes violentos, designadamente roubos e homicídios."
Entre eles há praticantes de Brazilian Jiu-Jitsu, modalidade de extrema violência física – que entram no nosso País "através de vistos turísticos ou protocolos bilaterais [devido ao estatuto de alta competição desportiva], sendo que não são, por regra, sujeitos a qualquer controlo fronteiriço [responsabilidade do SEF]. E ficam depois, muitos deles, em situação ilegal em Portugal" – e a cometer crimes, pode ler-se na acusação da Unidade Especial do DIAP de Lisboa aos 26 elementos do grupo conhecido por ‘máfia brasileira’, que nos últimos anos espalhou o terror em bares, discotecas e restaurantes da capital e da Margem Sul, impondo aos donos, pela força, os seus serviços de segurança ilegal.
O cabecilha, Sandro ‘Bala’, conhecido por ‘mestre’, chegou em 2001 e obteve visto de residência. E desde então que, em parceria com Carlos Pereira, através da empresa de fachada Olho Vivo, passou a recrutar no Brasil dezenas de compatriotas para virem trabalhar como seguranças em Portugal – forçando os donos dos espaços nocturnos a aceitá-los lá, através da extorsão com extrema violência. Quem não pagasse via o bar destruído, os funcionários e clientes espancados.
Wanderley Silva, cadastrado no Brasil por roubo qualificado, formação de quadrilha e resistência à prisão, desembarcou no Aeroporto da Portela a 28 de Novembro do ano passado. E a 12 de Agosto desse ano aterrou em Lisboa Alessandro Silva. Os dois com cartas a dá-los como ícones do jiu-jitsu, a pretexto de torneios que iriam realizar-se – tudo falso. ‘Bala’ ligara-lhes de véspera, para o Brasil, a instruí-los sobre como enganarem o SEF.
'BALA' NO CINEMA A PARTIR DE 16 DE SETEMBRO
A partir de 16 de Setembro é possível ver Sandro ‘Bala’ em acção nas salas de cinema, pois essa é a data marcada para a estreia de ‘Marginais’. Baseado num caso real revelado pelo CM, o filme de Hugo Diogo, cuja acção decorre no meio das lutas de rua, tem José Fidalgo no papel principal, mas o instrutor de jiu--jitsu participa em várias cenas. Nenhum responsável pela produção admitiu conhecer o cadastro do brasileiro, que conquistou a equipa de filmagens ao ponto de merecer a alcunha de ‘Teddy Bear’.
MILITAR DA GNR CÚMPLICE DE GRUPO E OUTRO SOB SUSPEITA
Uma rusga da GNR caçou ‘Wilson’ e outros brasileiros num bar da Costa de Caparica, a 8 de Dezembro do ano passado. Levados ao posto local para ver quem estava legal no País, o guarda Reis separou ‘Wilson’ dos outros, segundo a acusação da Unidade Especial do DIAP. ‘Wilson’ deu informações ao militar sobre o tráfico de droga na Caparica, dominado por Sandro ‘Bala’, mas o guarda Reis mandou-o embora. E quatro dias depois o grupo de ‘Bala’ já sabia desta conversa no posto. ‘Wilson’ foi alvo de oito tiros numa rua da Caparica. Três acertaram-lhe. A ligação do guarda Reis ao grupo está sob investigação – mas quanto a um colega, o militar Jorge Teixeira, não restam dúvidas ao Ministério Público: dava-lhes informações sobre processos pendentes e operações que visassem o grupo – e participou em vários crimes. Está acusado por associação criminosa, extorsão, coacção, peculato, sequestro e furto qualificado.
ESPANCAM TRÊS POLÍCIAS COM TACO DE BASEBOL
Três agentes da PSP à civil saíram da discoteca W, às 05h00 de 23 de Outubro do ano passado, e envolveram-se numa discussão com elementos do grupo brasileiro. Estes seguiram os polícias e interceptaram-nos num semáforo junto à avenida da Índia. Miguel Ângelo, um dos 26 acusados pelo DIAP, saiu do carro com um taco de basebol – e apesar de um dos alvos se ter identificado como agente da PSP foi agredido na cabeça. E seguiram-se os dois colegas – também ficaram inanimados com tacadas na cabeça. Esta foi uma das violentas agressões do grupo a polícias – também espancaram a soco um inspector da PJ numa discussão de trânsito. O grupo dedicava-se à extorsão, impondo segurança ilegal em bares, restaurantes, discotecas e ginásios, a troco de milhares de euros mensais, sobretudo desde 2006, quando a Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP, liderada pela procuradora Cândida Vilar, desmantelou o grupo do ex-PSP Alfredo Morais, que exercia o domínio em Lisboa. Agora, o grupo brasileiro foi também desfeito pelo DIAP.
GUERRA DA NOITE COM GRUPO DE CHELAS
O controlo ilegal de espaços de diversão nocturna em Lisboa abriu uma guerra entre o grupo de brasileiros chefiado por Sandro ‘Bala’ e o grupo de Chelas, de que fazem parte amigos e familiares de Miguel, jogador da selecção nacional. E exemplo disso, segundo a acusação da Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP de Lisboa, foi o esfaqueamento de um elemento do grupo de Chelas no interior da discoteca Mussulo, em meados do ano passado. A vingança não se fez esperar, e o grupo de Chelas reagiu com a violenta agressão a um irmão de Helder Varela, membro do grupo de Sandro ‘Bala’. Miguel, nessa madrugada, também estava entre os amigos do grupo de Chelas.
A rivalidade entre os dois grupos deu origem a outras rixas, dentro do Mussulo, da discoteca W e até em Chelas, segundo o Ministério Público. E um dos locais nocturnos onde o grupo de brasileiros impunha os seus serviços de segurança era a discoteca RS Dreams, no Seixal, precisamente o local onde Miguel e amigos se envolveram num tiroteio, a 26 de Dezembro do ano passado. O grupo de Chelas foi impedido de entrar na discoteca, entrou em confronto físico com os seguranças e um dos elementos – Miguel foi apontado por testemunhas como o atirador – disparou vários tiros de revólver contra a porta da discoteca no Seixal.
ESPALHAM TERROR NO BUDDHA BAR E AGRIDEM FUNCIONÁRIOS
Style Fashion, W, Buddha, Remédio Santo, Swell, Alcântara, Renhau-Nhau, Ritmo da Salsa, Ondas Brasil, Mastro Bar, Dunas, Ondeando, RS Dreams e Sabor Mineiro foram só alguns dos espaços nocturnos de Lisboa ou Margem Sul atacados por Sandro ‘Bala’ e cúmplices. Os gerentes tinham de contratar por milhares de euros os serviços da Olho Vivo, a empresa de segurança que dava cobertura ao grupo criminoso, e quem não cumprisse sofria as consequências. Foi o que aconteceu a 23 de Julho do ano passado, quando Sandro, Miguel Ângelo, Carlos Dias, Wesley e Artur Lemos chegaram ao Buddha Bar, conhecida discoteca de Lisboa. "Destruíram todos os móveis e utensílios que encontraram e, indiscriminadamente, agrediram o responsável do estabelecimento e seguranças de outra empresa que ali se encontraram em serviço", lê-se na acusação do DIAP. Estes foram só alguns dos agredidos e o Buddha apenas um dos espaços destruídos.
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