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Detidos da operação contra tráfico de droga "Teia Branca" são nacionais de Venezuela e Espanha

Operação foi desencadeada pelo Departamento de Investigação Criminal da PJ em Portimão, em articulação com a Policia Nacional espanhola, tendo sido executados 11 mandados de busca domiciliária.

21 de fevereiro de 2026 às 13:51

Os cinco detidos da operação policial "Teia Branca", que envolveu as autoridades portuguesas e espanholas no desmantelamento de uma organização criminosa dedicada ao tráfico de droga, têm nacionalidade venezuelana e espanhola, informou este sábado a Polícia Judiciária (PJ).

A PJ organizou este sábado uma conferência de imprensa, na sede em Lisboa, para detalhar a operação que, como já havia comunicado na sexta-feira, resultou na apreensão de 1,5 toneladas de cocaína, várias embarcações e viaturas e armamento de guerra.

Os cinco indivíduos, entre os 30 e os 41 anos, estão detidos em Lisboa. Três deles estão em prisão preventiva e os restantes aguardam a aplicação de medidas de coação.

O grupo -- que tinha "forte capacidade logística e elevada disponibilidade financeira" -- operava no Algarve mas com "capacidade logística em todo o país", usando várias localizações no território nacional (Valença, Aveiro, Guarda, Lezíria do Tejo, Setúbal) como pontos de armazenamento de material e droga, que depois era transportada para Espanha, de onde se espalharia por vários países europeus, adiantaram os agentes da PJ.

"Não temos indicação de que [a droga] era para distribuir em Portugal", disse Joaquim Trindade, do departamento de investigação criminal da PJ de Portimão.

Esta dispersão geográfica dificultou a deteção do grupo, mas, após algumas tentativas falhadas, a Guarda Nacional Republicana (GNR) de Setúbal, mobilizando centenas de agentes durante vários dias, acabou por executar uma operação "sem danos nem feridos", referiu o comandante João Martinho.

"O grupo não era muito extenso, mas tinha elevada capacidade operacional e foi muitas vezes bem sucedido [antes da detenção]", detalhou Joaquim Trindade, reconhecendo que "o grupo não está totalmente desmantelado, mas foi um duro golpe" e que seria apoiado também por cidadãos nacionais nas suas atividades.

"Havia uma necessidade enorme de pôr travão à organização, pois estávamos na iminência de um desembarque em costas portuguesas de uma elevada quantidade de cocaína", realçou, adiantando que a droga foi encontrada dissimulada no interior de veículos.

Além da droga, foram apreendidas sete embarcações de alta velocidade (lanchas rápidas) e 22 viaturas ligeiras, algumas de alta cilindrada, e também de mercadorias, bem como armas de fogo que não estão ao dispor do cidadão comum (seis metralhadoras AK 47 Kalashnikov, uma pistola-metralhadora VZ61 Skorpion e duas pistolas Glock) e 10 relógios orçados em milhares de euros.

"Não estamos a falar de um grupo qualquer, mas de um grupo que sabia o que fazia e era perigoso", assinalou Joaquim Trindade.

A operação foi desencadeada pelo Departamento de Investigação Criminal da PJ em Portimão, em articulação com a Policia Nacional espanhola, tendo sido executados 11 mandados de busca domiciliária.

A investigação, que durava há três anos, "está longe de estar concluída", adiantou João Garcia, da PJ, sublinhando que esta operação foi "um caso exemplar" de cooperação interna (entre várias forças de segurança) e externa.

Presentes na conferência de imprensa, Alberto Morales e Emilio Rodriguez, da Policia Nacional espanhola, destacaram que "a cooperação vai continuar" e que esta é a única forma de combater "organizações que a cada dia que passa têm uma capacidade logística superior".

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