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Correio da Manhã

Portugal
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Dez arguidos dos fogos de Pedrógão suspeitos de homicídio negligente

Suspeitos ligados à Proteção Civil, GNR e concessionárias de estradas.
12 de Dezembro de 2017 às 11:08
Fogo em Pedrógão Grande
Fogo em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Fogo em Pedrógão Grande
Fogo em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Fogo em Pedrógão Grande
Fogo em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Pelo menos dez pessoas foram constituídas arguidas no caso dos incêndios de Pedrógão Grande, esta terça-feira.

Segundo apurou o CM, trata-se de pessoas ligadas à Proteção Civil, GNR e concessionárias de estradas. Entre outros crimes de que serão suspeitos consta o de homicídio por negligência.

Os arguidos estão a ser ouvidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria.

A identidade dos arguidos começa a ser conhecida. Um deles é Mário Cerol, segundo comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria e terceiro operacional a liderar as operações de socorro a 17 de junho.

A notícia foi confirmada pelo próprio, que já terá sido ouvido no inquérito do Ministério Público ao que se passou no trágico incêndio que matou 66 pessoas.

Para além deste, também o comandante dos bombeiros voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, é arguido. Foi ouvido esta terça-feira às 14h00 no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria na "qualidade de denunciado", na sequência dos incêndios daquele concelho.

Advogada de comandante diz que este está tranquilo
Magda Rodrigues, advogada da Liga dos Bombeiros Portugueses, não precisou os eventuais crimes pelos quais o bombeiro voluntário de Pedrógão Grande está indiciado, mas disse que Augusto Arnaut está "tranquilo".

A advogada salientou que o "estatuto processual do arguido permite mais vantagens e mais direitos".

Adiantando que o comandante Augusto Arnaut "lamenta" toda a situação, Magda Rodrigues salientou que "o ênfase que se dá a este processo obviamente faz reviver a todos, sobretudo, às vítimas, os momentos de sofrimento de dor e angústia".

"E, portanto, queremos que a justiça faça o seu papel, de uma forma célere eficaz e silente".

"Com 51 anos, o comandante é bombeiro há 32 anos, está ligado ao corpo de comando há cerca de 18 anos. Obviamente, é um homem com provas dadas e o tempo trará com certeza a verdade a este processo. Está, sobretudo, de consciência tranquila e tudo fez para que o desfecho fosse outro", reforçou, ao informar que não pode dizer mais nada porque o processo se encontra em segredo de justiça.

Comandos dos Bombeiros estranham que apenas comandantes sejam chamados a tribunal
Um representante da Associação dos Comandos dos Bombeiros Portugueses, Jorge Mendes, disse esta terça-feira estranhar que apenas os comandantes estejam a ser chamados para responder em tribunal no âmbito do inquérito na sequência do incêndio de Pedrógão Grande.

"O que acho muito estranho é começar-se pela estrutura de baixo. Os bombeiros têm uma estrutura de comando, estão inseridos na Proteção Civil e existe proteção civil local, municipal e nacional. Porquê os bombeiros? Porque não perguntar por que é que a proteção civil não tinha os planos municipais ativos ou por que é que a proteção civil não planeou ou coordenou a situação convenientemente?", referiu Jorge Mendes, que está no Tribunal de Leiria a apoiar o comandante dos Bombeiros de Pedrógão Grande, que está a ser ouvido no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).

O dirigente acrescentou que "os bombeiros vão responder e esclarecer todas essas situações", mas admitiu que a "ideia que transparece" é que as outras estruturas "estão a ser poupadas".

Segundo Jorge Mendes, "nos últimos dias tem-se verificado um ataque aos bombeiros".

Além disso, "quando corre muito bem, a Autoridade Nacional de Proteção Civil e a Proteção Civil local dizem que foram os operacionais que estiveram no terreno". Já "quando alguma coisa corre mal, são os bombeiros", mas que "são os mesmos".

"A minha associação sente que os bombeiros estão a ser atacados e muito calmamente. Isto vai ter um fim e já é visível. Quando olhamos para a estrutura de proteção civil e não vemos no comando nenhum bombeiro, alguma coisa está a falhar", referiu o dirigente.

O fim, explicou, "é o ataque aos bombeiros para que percam a intervenção que tiveram nestes últimos 600 anos".

Jorge Mendes disse ainda que "o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, esteve no início do incêndio" e estando a ser agora ouvido merece o "apoio" e a "solidariedade" da associação.

Jorge Mendes lembrou que o incêndio de Pedrógão Grande "foi desagradável" para Augusto Arnaut, como para todos os bombeiros. "É uma tragédia, mas nós não podíamos abandonar um dos nossos. Sentimos que [bombeiros] estão a ser esquecidos e a ser colocados como se fossem um bode expiatório de todas estas situações".

Garantindo que o objetivo "não é branquear a verdade" e que "tem que se apurar as responsabilidades até por respeito aos que já partiram e aos que cá ficaram", Jorge Mendes salientou que "não se pode esquecer" que "os bombeiros fazem 365 dias por ano a trabalhar exaustivamente".

"Têm os seus comandantes com as suas limitações, com a falta de material e neste momento está-se constantemente a atacar os bombeiros e os comandantes, o que para nós é estranho".

Sobre o facto de Mário Cerol, segundo comandante distrital de Leiria, ter sido constituído arguido, Jorge Mendes considera "normal", "até para as pessoas terem hipótese de se defenderem nos locais certos".

Mário Cerol, que será o primeiro arguido deste inquérito, disse que foi ouvido na semana passada pelo Ministério Público.

"Não posso falar mais nada", referiu à Lusa.



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O comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande foi hoje constituído arguido na sequência dos incêndios naquele concelho, depois de ter sido ouvido pelo Ministério Público no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria, disse a sua representante.



Hoje de manhã, o segundo comandante distrital de Leiria, Mário Cerol, também confirmou ser arguido na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande, que deflagraram em 17 de junho e que provocaram a morte a 64 pessoas. Uma outra pessoa morreu atropelada quando fugia do fogo e, recentemente, uma mulher morreu no hospital, cinco meses depois de ter sido internada na sequência dos incêndios.
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