Suspeitos ligados à Proteção Civil, GNR e concessionárias de estradas.
1 / 3
Pelo menos dez pessoas foram constituídas arguidas no caso dos incêndios de Pedrógão Grande, esta terça-feira.
Segundo apurou o CM, trata-se de pessoas ligadas à Proteção Civil, GNR e concessionárias de estradas. Entre outros crimes de que serão suspeitos consta o de homicídio por negligência.
Os arguidos estão a ser ouvidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria.
A identidade dos arguidos começa a ser conhecida. Um deles é Mário Cerol, segundo comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria e terceiro operacional a liderar as operações de socorro a 17 de junho.
A notícia foi confirmada pelo próprio, que já terá sido ouvido no inquérito do Ministério Público ao que se passou no trágico incêndio que matou 66 pessoas.
Para além deste, também o comandante dos bombeiros voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, é arguido. Foi ouvido esta terça-feira às 14h00 no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria na "qualidade de denunciado", na sequência dos incêndios daquele concelho.
Advogada de comandante diz que este está tranquilo
Magda Rodrigues, advogada da Liga dos Bombeiros Portugueses, não precisou os eventuais crimes pelos quais o bombeiro voluntário de Pedrógão Grande está indiciado, mas disse que Augusto Arnaut está "tranquilo".
A advogada salientou que o "estatuto processual do arguido permite mais vantagens e mais direitos".
Adiantando que o comandante Augusto Arnaut "lamenta" toda a situação, Magda Rodrigues salientou que "o ênfase que se dá a este processo obviamente faz reviver a todos, sobretudo, às vítimas, os momentos de sofrimento de dor e angústia".
"E, portanto, queremos que a justiça faça o seu papel, de uma forma célere eficaz e silente".
"Com 51 anos, o comandante é bombeiro há 32 anos, está ligado ao corpo de comando há cerca de 18 anos. Obviamente, é um homem com provas dadas e o tempo trará com certeza a verdade a este processo. Está, sobretudo, de consciência tranquila e tudo fez para que o desfecho fosse outro", reforçou, ao informar que não pode dizer mais nada porque o processo se encontra em segredo de justiça.
Comandos dos Bombeiros estranham que apenas comandantes sejam chamados a tribunal
"O que acho muito estranho é começar-se pela estrutura de baixo. Os bombeiros têm uma estrutura de comando, estão inseridos na Proteção Civil e existe proteção civil local, municipal e nacional. Porquê os bombeiros? Porque não perguntar por que é que a proteção civil não tinha os planos municipais ativos ou por que é que a proteção civil não planeou ou coordenou a situação convenientemente?", referiu Jorge Mendes, que está no Tribunal de Leiria a apoiar o comandante dos Bombeiros de Pedrógão Grande, que está a ser ouvido no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).
O dirigente acrescentou que "os bombeiros vão responder e esclarecer todas essas situações", mas admitiu que a "ideia que transparece" é que as outras estruturas "estão a ser poupadas".
Segundo Jorge Mendes, "nos últimos dias tem-se verificado um ataque aos bombeiros".
Além disso, "quando corre muito bem, a Autoridade Nacional de Proteção Civil e a Proteção Civil local dizem que foram os operacionais que estiveram no terreno". Já "quando alguma coisa corre mal, são os bombeiros", mas que "são os mesmos".
"A minha associação sente que os bombeiros estão a ser atacados e muito calmamente. Isto vai ter um fim e já é visível. Quando olhamos para a estrutura de proteção civil e não vemos no comando nenhum bombeiro, alguma coisa está a falhar", referiu o dirigente.
O fim, explicou, "é o ataque aos bombeiros para que percam a intervenção que tiveram nestes últimos 600 anos".
Jorge Mendes disse ainda que "o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, esteve no início do incêndio" e estando a ser agora ouvido merece o "apoio" e a "solidariedade" da associação.
Jorge Mendes lembrou que o incêndio de Pedrógão Grande "foi desagradável" para Augusto Arnaut, como para todos os bombeiros. "É uma tragédia, mas nós não podíamos abandonar um dos nossos. Sentimos que [bombeiros] estão a ser esquecidos e a ser colocados como se fossem um bode expiatório de todas estas situações".
Garantindo que o objetivo "não é branquear a verdade" e que "tem que se apurar as responsabilidades até por respeito aos que já partiram e aos que cá ficaram", Jorge Mendes salientou que "não se pode esquecer" que "os bombeiros fazem 365 dias por ano a trabalhar exaustivamente".
"Têm os seus comandantes com as suas limitações, com a falta de material e neste momento está-se constantemente a atacar os bombeiros e os comandantes, o que para nós é estranho".
Sobre o facto de Mário Cerol, segundo comandante distrital de Leiria, ter sido constituído arguido, Jorge Mendes considera "normal", "até para as pessoas terem hipótese de se defenderem nos locais certos".
Mário Cerol, que será o primeiro arguido deste inquérito, disse que foi ouvido na semana passada pelo Ministério Público.
"Não posso falar mais nada", referiu à Lusa.
dddddddddddddddd
O comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande foi hoje constituído arguido na sequência dos incêndios naquele concelho, depois de ter sido ouvido pelo Ministério Público no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria, disse a sua representante.
Hoje de manhã, o segundo comandante distrital de Leiria, Mário Cerol, também confirmou ser arguido na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande, que deflagraram em 17 de junho e que provocaram a morte a 64 pessoas. Uma outra pessoa morreu atropelada quando fugia do fogo e, recentemente, uma mulher morreu no hospital, cinco meses depois de ter sido internada na sequência dos incêndios.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.