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Correio da Manhã

Portugal

DO CAMPO PARA O PRATO

O consumidor tem de ser exigente e verificar sempre se o produto alimentar que está a adquirir dispõe de um certificado de controlo sanitário. Este foi o alerta feito ao CM pelo ex-bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV), José Cardoso Resende.
5 de Julho de 2002 às 23:16
Mas não foi o único alerta que este responsável fez no decurso da visita “A carne... do prado ao prato”, que se realizou ontem a produtores de aves, de gado bovino e suíno, na região de Alenquer e da Azambuja, uma iniciativa da Deco - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor - e que contou com a participação de deputados europeus.

“O consumidor não deve comprar alimentos directamente do lavrador porque deste modo não tem garantia de controlo sanitário. O consumidor deve ser exigente e verificar se o produto tem um certificado de denominação de origem, se tem o selo da inspecção sanitária, porque o lavrador não é sinónimo de salubridade”, continuou o veterinário José Resende.

A razão para tal “desconfiança” ao produto deve-se a diversos factores que podem colocar em risco a saúde do consumidor. É o caso dos perigos de contaminação de um animal, com alguma doença, ou da conservação do produto provocada por um mau sistema de frio, ou pela inadequada manipulação do alimento.

“As pessoas não devem fazer do seu frigorífico um armazém, porque podem contaminar os alimentos. Não devem misturar os que estão cozidos dos crus”, continuou.

José Morgado, secretário-geral da Deco, toca pela mesma bitola e apesar de reconhecer que “hoje em dia, do ponto de vista microbiológico, as coisas estão francamente melhores, existem novos problemas, muitos dos quais não são detectáveis à vista”.

“A fiscalização é insuficiente e está desarticulada, por envolver vários organismos. Outro aspecto que não nos tranquiliza é o facto de, neste Governo, a Agência para a Qualidade e Segurança Alimentar ter passado para a tutela do Ministério da Agricultura, tendo saído em Março da alçada da Secretaria de Estado da Defesa do Consumidor”, adiantou Jorge Morgado.

Confrontado pelo nosso jornal acerca do destino a dar às toneladas de desperdício de animais que vão sendo depositados em armazéns, desde 2000, porque já não entram na cadeia da produção de farinhas para alimentação dos animais, o eurodeputado José Moreira da Silva afirmou que “há demasiadas queixas da União Europeia (UE) para que Portugal arranje uma solução, o que se espera para breve para que não seja alvo de sanções económicas.

Para evitar acumulação, alguns Estados-membros da UE fazem a eliminação dos resíduos por incineração. Em Bruxelas usam soluções químicas e inócuas para os eliminar e torná-los inertes. “Portugal tem de tomar uma decisão urgente!”, concluiu Moreira da Silva.
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