Chefes faziam parte dos grupos de WhatsApp onde eram partilhados os vídeos das agressões, estando em causa suspeitas de três crimes de tortura.
Os dois chefes da PSP detidos na terça-feira no âmbito dos casos de tortura e violações na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, são suspeitos de agredir homens levados para a esquadra com murros e pontapés.
À Lusa, fonte ligada ao processo adiantou que os dois chefes da PSP surgem em dois episódios de agressões descritos pelo Ministério Público e que faziam parte dos grupos de WhatsApp onde eram partilhados os vídeos das agressões, estando em causa suspeitas de três crimes de tortura.
No total, o Ministério Público aponta nove casos de agressões que envolvem os 16 detidos como suspeitos: um relacionado com a esquadra do Bairro Alto, outro relacionado com agressões na zona de bares do Bairro Alto e oito na esquadra do Largo do Rato.
Os dois casos que envolvem os dois chefes da PSP já foram descritos na acusação que resultou das primeiras detenções no âmbito deste caso, em julho do ano passado.
Um dos episódios aconteceu no dia 18 de outubro de 2024 na zona do Cais do Sodré, quando dois homens de nacionalidade egípcia foram agredidos por cinco polícias à civil e levados pelos mesmos membros da PSP para a esquadra do Largo do Rato.
Um dos chefes detidos estava na esquadra nessa noite e, segundo adiantou a mesma fonte, terá agredido as duas vítimas com socos e murros durante cerca de uma hora, juntamente com outros três arguidos deste processo, enquanto outro agente chegou a bater nas vítimas com luvas de boxe.
Dois dias depois, a 20 de outubro de 2024, na mesma esquadra do Largo do Rato, o mesmo chefe da PSP terá entrado ao serviço no momento em que estavam ainda dentro do edifício as vítimas de violação, cujo crime já foi descrito na acusação que é conhecida.
Segundo adiantou fonte próxima do processo, este chefe da PSP terá perguntado o que estava a acontecer, tendo os restantes arguidos referido apenas que os dois homens tinham sido detidos por furto, mesmo perante o estado de fragilidade das duas vítimas, que choravam.
Pouco tempo depois, já no dia 23 de outubro de 2024, na mesma esquadra, surge um novo episódio de agressões, em que estará envolvido o segundo chefe da PSP e que também já foi descrito na acusação relativa aos primeiros detidos deste caso.
Desta vez, adiantou fonte ligada ao processo à Lusa, a vítima é um homem de nacionalidade argelina, que foi levado para a esquadra do Largo do Rato na sequência de uma detenção por roubo na zona do Martim Moniz, e que terá sido agredido por um chefe e por outros agentes com pontapés, usando a biqueira das botas de serviços, e com bastonadas.
Todos estes episódios de violência foram partilhados em grupos de 'WhatsApp', dos quais fazem parte os dois chefes da PSP detidos na terça-feira.
Dos 16 detidos na terça-feira, dois já foram libertados - um polícia e o único civil deste processo - e os restantes 14 estão esta quinta-feira a ser ouvidos em primeiro interrogatório no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa.
Com a detenção de 15 polícias na terça-feira, aumenta para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos no processo de alegadas torturas e violações a pessoas vulneráveis como toxicodependentes e sem-abrigo, na sua maioria estrangeiros, nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, numa investigação denunciada pela PSP.
Na primeira operação, foram detidos dois agentes da PSP, de 22 e 26 anos, que vão ser julgados por crimes de tortura, violação e abuso de poder, entre outros.
Outros sete polícias foram detidos em março de 2026 e estão a aguardar em prisão preventiva o desfecho da investigação, que poderá ou não culminar numa acusação do Ministério Público pelos mesmos crimes.
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