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Dor e emoção no funeral de Ricardo

A morte de Ricardo Carreira, o menino de 11 anos assassinado pelo irmão, “é mais um sinal de Deus para o mundo frágil, pecador e caduco” em que vivemos, disse ontem o pároco da Caranguejeira, Leiria, na missa de corpo presente, a que assistiram centenas de pessoas.

28 de julho de 2007 às 00:00

“Vivemos num mundo de dúvida e incerteza e é preciso reflectir sobre o caminho que estamos a seguir”, adiantou o padre Pedro Ferreira, convidando os presentes a apoiarem-se no espiritual para superar a dor.

Perante uma assembleia que encheu por completo a Igreja Paroquial da Caranguejeira, o sacerdote apelou à misericórdia e recordou a experiência dos Pastorinhos de Fátima para manter viva a imagem do falecido.

“A vida não acaba com a morte e todos continuamos a amar o Ricardo. Deus também chamou os Pastorinhos em tenra idade, e não o fez por castigo”, disse o padre.

A pequena urna branca chegou à Caranguejeira pelas 17h30 e durante meia hora foram muitas as pessoas que quiseram prestar a última homenagem ao menino, barbaramente assassinado pelo irmão, de 17 anos, na quarta-feira ao final da tarde.

Os pais levantaram-se diversas vezes para contemplar o rosto do filho e antes de a urna ser fechada colocaram junto ao corpo um pequeno boneco vestido de cor azul-bebé, um brinquedo que terá sido um dos seus preferidos.

A caminho do cemitério, eram ainda muitas as pessoas que procuravam uma resposta racional para um crime que abalou a freguesia. “São os dois dignos de dó. O que partiu e o que cá fica. Coitados daqueles pais!”, desabafou uma mulher.

Ricardo Carreira frequentava o 6.º ano da Escola EB 2, 3 Dr. Correia Alexandre, na Caranguejeira. Ontem, os colegas de turma quiseram deixar-lhe uma mensagem, que foi lida por um dos seus melhores amigos. “É com este adeus que queremos que fiques. Este adeus que nos lembrará para sempre a criança alegre que eras e que queremos recordar. Por todos os momentos de alegria, por todas as aventuras, por todos os sorrisos, a ti dizemos adeus com muita tristeza.”

MÃE VISITOU FILHO DETIDO

O jovem detido após confessar que matou o irmão por ciúmes mantém-se no Estabelecimento Prisional de Leiria (ex-Prisão-Escola), na Unidade de Saúde, longe do contacto com os restantes reclusos. Ontem à tarde recebeu a visita da mãe. De manhã, saiu do estabelecimento acompanhado por inspectores da Polícia Judiciária, que o levaram para reconstituir o fratricídio. Na quinta-feira à noite, depois de ter sido ouvido por um juiz de instrução criminal e ficar em prisão preventiva, foi levado ao Hospital de Santo André, em Leiria, para ter consulta por um psiquiatra. Foi aconselhado a não ficar sozinho.

- 8 horas foi o tempo que o corpo de Ricardo Carreira permaneceu no local do crime, para permitir a recolha de provas pelos elementos do Laboratório de Polícia Científica da PJ.

- 10 golpes de faca terão sido desferidos com grande violência pelo irmão da vítima. Ricardo tentou defender-se e foi atingido sobretudo no pescoço e no tórax.

ACOMPANHAMENTO

Vasco Carreira, autor confesso da morte do irmão, já andou a ser acompanhado por um psicólogo há alguns anos, disse um amigo da família.

ANIVERSÁRIO

O pequeno Ricardo completava 12 anos amanhã, domingo, e a mãe estava a preparar-lhe uma festa de aniversário. Os amigos estavam convidados para comparecer num salão de festas.

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