Homens, de 43 e 44 anos, assaltaram bancos com recurso a réplicas de armas de fogo e mantiveram clientes sob sequestro.
Os dois homens acusados de roubos e sequestros em agências bancárias de várias localidades do país confessaram esta quarta-feira a autoria dos crimes no início do julgamento no Tribunal de Évora, revelaram fontes judiciais e um dos advogados.
As fontes indicaram à agência Lusa que, perante a confissão integral dos factos, o Ministério Público (MP) e as partes prescindiram da produção de prova, tendo o coletivo de juízes que está a julgar o caso agendado a leitura do acórdão para o dia 11 de março.
Carlos José Lopes, advogado de um dos arguidos, disse à Lusa que esta sessão de julgamento decorreu "dentro daquilo que esperava", lembrando que o seu constituinte "tinha confessado logo os factos" no primeiro interrogatório judicial.
“Basicamente, agora voltou a fazer exatamente o mesmo”, ou seja, demonstrou “colaboração perante o tribunal”, realçou.
Considerando que “é evidente” que este arguido “vai ser condenado”, o advogado explicou que a estratégia da defesa passou por “tentar reduzir ao máximo a pena” de prisão a aplicar pelo coletivo de juízes.
“Ele também disse que estava arrependido e tem tido um comportamento exemplar no estabelecimento prisional onde se encontra”, salientou, esperando que esta atitude por parte do arguido possa contribuir para uma redução da pena.
Os dois homens, de 43 e 44 anos, estão acusados da prática de roubos a bancos, com recurso a réplicas de armas de fogo e mantendo os clientes sob sequestro, o que lhes permitiu apropriarem-se de mais de meio milhão de euros.
De acordo com a acusação, à qual a Lusa teve acesso, o arguido mais velho, reincidente, está acusado de cinco crimes de roubo, nove de sequestro, 32 de falsificação de documento, além de uma contraordenação por detenção ilegal de arma.
Já em coautoria, os dois arguidos, ambos de nacionalidade brasileira e em prisão preventiva desde que foram detidos em abril de 2025, estão acusados de dois crimes de roubo, um de sequestro e outro de branqueamento de capitais, pode ainda ler-se.
Segundo o MP, entre julho de 2023 e setembro de 2024, o arguido mais velho é suspeito de ter assaltado dependências bancárias em Vendas Novas e Alcáçovas, no distrito de Évora, onde também terá presumivelmente roubado uma cliente que ia depositar dinheiro, e em Águas de Moura, no de Setúbal.
No Brasil, este homem terá proposto colaboração ao outro arguido e, juntos, utilizando os mesmos métodos, terão assaltado agências bancárias em Castro Verde, no distrito de Beja, Estoi, no de Faro, e Lourinhã, no de Lisboa, realça o MP.
O despacho de acusação detalha os valores roubados em cada um dos seus assaltos, nas caixas, no cofre principal, nas gavetas cacifos das máquinas multibanco e a uma cliente, cujo total ascende a cerca de 548 mil euros.
De acordo com o MP, os arguidos enviavam o dinheiro obtido nos roubos para o Brasil, através de agências de câmbio e transferência, utilizando, em alguns casos, pessoas que conheciam e outras que encontravam na rua, a troco de 50 euros.
O homem mais velho já foi condenado em Portugal pelo mesmo tipo de crimes, a uma pena única em cúmulo jurídico de 19 anos e 11 meses de prisão, por acórdão transitado em julgado em 30 de setembro de 2020.
O arguido foi entregue, a seu pedido, às autoridades brasileiras em 31 de março de 2022 para continuar a cumprir a pena naquele país, mas, um ano e três meses depois, estava de volta a Portugal, com identidade falsa, para dar início a uma nova vaga de assaltos, lê-se ainda no despacho de acusação.
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