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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Dúvidas permitem absolver polícia

Agente foi julgado por lançar gás pimenta sobre alunos em manifestação. Juízes não apuram se foram os agentes ou os estudantes a falar verdade.

20 de março de 2015 às 16:54

O coletivo de juízes do Tribunal de Braga admite que não conseguiu esclarecer as dúvidas e saber com certeza absoluta se o agente Manuel Vinhas lançou de imediato gás pimenta sobre os alunos, mal chegou ao local da manifestação, em frente à Escola Alberto Sampaio, em janeiro de 2013, com 500 alunos. Por isso, na dúvida, deu o benefício ao réu. O polícia, que foi absolvido de todas as acusações, vai agora lutar para lhe ser retirado o castigo disciplinar aplicado pela PSP.

"Poderá afirmar-se que os agentes, por serem de uma estrutura corporativa, esconderam a verdade? Deve entender-se que o relato dos jovens é mais credível?", questionou a presidente do coletivo de juízes, sublinhando a dificuldade em apurar qual dos relatos apresentados na sala do tribunal foi a verdadeira.

No entanto, o tribunal não teve dúvidas de que, numa fase posterior da manifestação, o agente lançou gás pimenta com o único propósito de se proteger a si, aos outros agentes presentes no local e aos bombeiros que tinham sido chamados ao local. "E que apenas imobilizou e deitou no chão um aluno muito exaltado", disse a juíza. "Foi uma vitória numa guerra. Sabia que tinha agido corretamente", disse Manuel Vinhas, que está a tratar do recurso para ser absolvido internamente. 

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