A criação de um banco nacional de dadores de células progenitoras da medula óssea para a transplantação medular é um dos objectivos da Associação Portuguesa Contra a Leucemina (APCL).
Para isso, a APCL vai promover uma campanha de sensibilização e informação junto da população, de forma a desmistificar a ideia errada que muitas pessoas têm em relação a este tipo de transplante que, para o dador, é tão simples como o gesto altruísta de dar sangue e salvar vidas humanas.
“É necessário criar um registo que faça o acompanhamento anual e tenha capacidade técnica para o armazenamento das células colhidas. Esse trabalho seria feito em parceria com o Centro Lusotransplante”, afirma António Parreira, hematologista e presidente da APCL e da Sociedade Portuguesa de Hematologia.
Segundo este especialista, é importante desmistificar ideias erradas sobre a transplantação da medula óssea, porque “há até quem pense que vai dar parte da medula espinal, o que é um perfeito disparate”.
Este é um processo tão simples, assegura, como o de dar sangue ou fazer hemodiálise. Em vez de uma hora, o dador está três ou quatro horas, sentado numa cadeira, ligado a uma máquina com uma seringa em cada braço. O seu sangue passa para essa máquina e é “filtrado”, sendo aproveitadas as células que mais tarde são utilizadas. Depois vai à sua vida, sem qualquer tipo de problema, mas sabendo que o seu gesto irá salvar uma vida. Pode ser dador todo o indivíduo saudável, até aos 55 anos. No registo, dá os dados pessoais e basta-lhe fazer análises ao sangue. Existem 1500 indivíduos potenciais dadores.
SINTOMAS
A leucemia é uma doença maligna do sangue, uma forma de cancro que tem origem na medula óssea, um órgão que tem como função a fabricação das células do sangue. Deixa de funcionar de um momento para o outro, não se sabe porquê, e as células normais dão lugar a anemia, infecções e hemorragias que levam à morte do doente se não for tratado.
300 NOVOS CASOS
Em cada ano surgem 300 novos casos de leucemia. 26 doentes do IPO estão à espera de fazer um transplante de medula óssea. A taxa de cura é elevada, 85% para as crianças, menos para os adultos.
DUARTE LIMA: ENTREI EM PÂNICO
Duarte Lima, 46 anos, advogado, ex-líder parlamentar do PSD e vogal da APCL, aceitou dar a cara pela campanha de sensibilização e informação e dá o testemunho na primeira pessoa, de quem lutou contra a doença e se curou.
“Quando o médico me disse, em Agosto de 1998, que a minha situação era grave e o diagnóstico era leucemia entrei em pânico. Fiquei sem poder falar. Perdi a noção. Sei que disse umas coisas mas tive lapsos de memória. Devo a minha vida à minha agente da companhia de seguros que me pediu para fazer análises ao sangue duas semanas depois de ter feito um ‘chek up’ completo e o resultado revelar que estava tudo bem. As segundas análises tinham resultados muito maus. Os meus sintomas eram cansaço – atribuía-o às 12 horas de trabalho diário – e palidez. O médico já não me deixou sair do hospital (IPO) e eu queria ir a Trás-os-Montes a uma reunião do PSD com Marcelo Rebelo de Sousa. Fiz quimioterapia e, seis meses depois, fiz um transplante de medula óssea. Hoje trabalho 12 horas por dia e estou curado.”
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